Estudo aponta que violência urbana em São Paulo pode aumentar o risco de obesidade em adultos
Pesquisa da USP revela que moradores de áreas com alta criminalidade têm 2,77 vezes mais chances de desenvolver obesidade.
Por Redação Diário Local
Uma pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) indica que a exposição à violência urbana pode estar relacionada ao aumento da obesidade entre adultos na capital paulista. O estudo aponta que, em áreas onde a criminalidade é persistentemente alta, a incidência de obesidade foi 2,77 vezes maior do que em locais com menores índices de violência.
O trabalho foi publicado na revista internacional BMC Public Health e resultou de uma parceria entre a Faculdade de Saúde Pública da USP, o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Grupo de Estudos e Pesquisas Epidemiológicas em Atividade Física e Saúde (Gepaf), da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. A investigação também contou com a colaboração de instituições da Universidade do Estado de Minas Gerais, da Universidade de Queensland, na Austrália, e da Universidade de Illinois Urbana-Champaign, nos EUA.
A análise utilizou dados coletados por meio de entrevistas domiciliares entre os anos de 2014 e 2021, abrangendo dois momentos distintos, incluindo o período da pandemia de covid-19. A amostra consistiu em 815 adultos residentes na cidade de São Paulo que, no início do acompanhamento, não apresentavam obesidade.
Como a violência afeta a saúde?
De acordo com os pesquisadores, a insegurança urbana pode atuar como um barreira para a prática de atividades físicas. A sensação de insegurança faz com que as pessoas evitem utilizar espaços públicos, como parques e praças, para realizar exercícios ao ar livre.
Além do sedentarismo, a exposição contínua a ambientes violentos pode gerar desgaste físico e estimular mecanismos fisiológicos de resposta ao estresse, o que pode influenciar diretamente os padrões alimentares e o consumo de comida. A criminalidade também pode afetar a infraestrutura dos bairros, desencorajando o uso de espaços comerciais e de lazer.
A pesquisa ressalta que a violência também está associada a outros riscos de saúde, como problemas de saúde mental, doenças cardiovasculares, diabetes e câncer, além de impactar a expectativa de vida por meio da mortalidade prematura.
O que o estudo propõe para as políticas públicas?
Os autores observaram que as políticas públicas atuais ainda não conseguiram estabilizar os índices de obesidade no Brasil. Dados do Ministério da Saúde mostram que a taxa de obesidade em adultos no país saltou de 11,8%, em 2006, para 25,7%, em 2024.
Diante do cenário, os pesquisadores defendem que a promoção de hábitos saudáveis isoladamente pode não ser suficiente. Para que a redução do risco de obesidade ocorra, é necessária uma articulação entre políticas de saúde, planejamento urbano, segurança pública e ações de redução da desigualdade socioeconômica e racial.
