SpaceX diferencia Starlink de Starshield após uso de tecnologia na guerra da Ucrânia
Enquanto o Starlink é um serviço comercial para civis, o Starshield é a versão militar com criptografia robusta e controle do governo dos EUA
Por Redação Diário Local
A SpaceX, empresa de Elon Musk, diferenciou o Starlink, serviço comercial de internet, do Starshield, versão voltada para fins militares e governamentais. A distinção foi reforçada após questionamentos sobre as restrições de uso de serviços de satélite em zonas de conflito, como na Ucrânia.
Segundo Elon Musk, em publicação na quarta-feira (14), o sistema Starshield é de propriedade e fica sob o controle do governo dos Estados Unidos. Dessa forma, limites de velocidade ou de uso do serviço militar são determinados pelos militares ou pelo presidente americano.
Já o Starlink funciona como um serviço comercial controlado pela SpaceX. O uso da ferramenta é limitado a atividades civis ou defensivas, não podendo ser empregado em ações militares ofensivas por se tratar de uma empresa de natureza civil.
Embora utilizem a mesma base tecnológica, os sistemas não são idênticos. O Starlink é a oferta de banda larga para o público geral, enquanto o Starshield conta com satélites próprios de reconhecimento, comunicações militares e criptografia mais robusta.
O que é o Starlink?
O Starlink é a principal fonte de lucro da SpaceX e utiliza uma rede de mais de 11 mil satélites em órbita baixa da Terra. O objetivo é fornecer internet de alta velocidade, especialmente em áreas remotas onde a infraestrutura tradicional é escassa.
A rede possui cerca de 13 milhões de assinantes, entre residências, empresas de navegação e companhias aéreas. Os satélites orbitam entre 328 e 614 quilômetros de altitude, o que permite conexões mais rápidas do que os satélites de comunicações convencionais.
Como funciona o Starshield?
O Starshield é a unidade de negócios da empresa voltada para inteligência e defesa. O foco principal são órgãos governamentais dos Estados Unidos, como o Departamento de Defesa (Pentágono), a Space Force e o National Reconnaissance Office (NRO).
O sistema utiliza a rede Starlink como meio de transporte de dados, mas separa o tráfego civil do militar por meio de criptografia adicional. Além de comunicações seguras, a versão militar oferece observação da Terra e integração de sensores.
O Pentágono é o principal cliente, tendo investido bilhões de dólares em equipamentos de alerta contra mísseis e constelações de espionagem. O Reino Unido e a Nova Zelândia também adotaram ou testam o sistema.
Por que há confusão entre os sistemas?
A confusão ocorre porque, em cenários de guerra, o equipamento físico visível costuma ser a antena plana do Starlink, mas o contrato de serviço por trás dela pode ser o Starshield. Terminais civis podem ser habilitados para o uso militar por meio de acordos específicos.
Na Ucrânia, a internet via satélite tornou-se essencial para a comunicação da população e para a orientação de ataques de drones. O país recebeu mais de 50 mil terminais da tecnologia, com parte do financiamento vindo da Polônia e dos Estados Unidos.
Em 2023, o comando europeu dos Estados Unidos financiou 500 terminais Starshield para a região. Em agosto de 2024, um novo contrato permitiu que 2.500 terminais Starlink que já estavam em uso na Ucrânia passassem a operar sob o regime do Starshield.
