Startup brasileira lança primeiro foguete com tecnologia de propulsão líquida
O veículo FTL-Perseu, desenvolvido pela Bizu Space, utilizou sistema inovador que permite maior controle durante o voo
Por Diário Local
Uma equipe de engenheiros de São José dos Campos, no interior de São Paulo, realizou o lançamento do primeiro foguete brasileiro impulsionado exclusivamente por um sistema de propulsão líquida desde a decolagem. O voo do veículo FTL-Perseu ocorreu no dia 29 de maio, em Virgínia, Minas Gerais.
O desenvolvimento do foguete é responsabilidade da startup Bizu Space. A tecnologia de propulsão líquida é considerada estratégica para missões espaciais por oferecer níveis superiores de controle, precisão e segurança em comparação aos motores de propulsão sólida.
O veículo, batizado de Missão Trem Baum, foi recuperado com sucesso após o lançamento por meio de um sistema de rastreamento e paraquedas.
Como funciona a propulsão líquida?
A principal diferença entre os sistemas está na capacidade de ajuste. Enquanto motores sólidos funcionam de forma contínua após a ignição, o motor líquido permite que o fluxo seja controlado, funcionando de forma semelhante a um acelerador de veículo. No sistema líquido, o combustível e o oxidante ficam armazenados em tanques separados e só são carregados no foguete quando o lançamento está próximo.
Essa característica aumenta a segurança durante a montagem e os testes, já que os propelentes não ficam presentes na estrutura durante as fases iniciais de preparação. Além disso, a propulsão líquida permite interromper e reiniciar o funcionamento do motor durante o voo, uma funcionalidade essencial para manobras complexas e inserção de satélites em órbita.
Detalhes técnicos do FTL-Perseu
O FTL-Perseu possui aproximadamente 4,5 metros de comprimento e pesa cerca de 70 kg quando totalmente abastecido. Para o funcionamento do motor, a startup utiliza querosene de aviação como combustível e peróxido de hidrogênio concentrado como oxidante.
Os engenheiros realizaram 61 simulações ao longo de um ano para chegar ao modelo final. O foguete foi projetado para atingir cerca de 10 mil metros de altitude, embora, neste primeiro voo, tenha alcançado 1.272 metros devido ao uso de uma quantidade reduzida de propelentes para fins de teste.
Segundo os desenvolvedores, a produção busca utilizar matéria-prima nacional, como aço inox, alumínio e fibra de vidro, além dos próprios propelentes produzidos no Brasil.
Projeto do Microlançador Brasileiro
A Bizu Space integra o grupo de desenvolvimento do Microlançador Brasileiro (MLBR), um projeto do governo federal que visa colocar satélites em órbita com tecnologia própria. A iniciativa conta com o apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
A expectativa para a estreia do microlançador é a partir de 2027, com atividades previstas para o Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. O objetivo do projeto é aumentar a autonomia tecnológica do país em áreas como o monitoramento do agronegócio e sistemas de GPS.
