Anúncios do Instagram promovem material de abuso sexual infantil na Índia, aponta investigação
Governo indiano exige explicações da Meta após anúncios de redes sociais oferecerem links para exploração infantil no Telegram
Por Diário Local
Anúncios pagos no Instagram promoveram material contendo abuso sexual infantil na Índia, conforme concluiu uma investigação. As publicações utilizavam expressões como "vídeo de estupro" e "vídeo infantil", oferecendo links para canais no aplicativo de mensagens Telegram, onde o conteúdo criminoso poderia ser comprado por valores de até 99 rúpias indianas (cerca de R$ 5,15).
Após a divulgação das descobertas, o governo indiano ordenou que a Meta, proprietária do Instagram, desabilitasse imediatamente os anúncios. Uma autoridade de alto escalão do país estabeleceu o prazo de uma semana para que a empresa apresente explicações sobre os motivos que permitiram a autorização dessas publicações na rede social.
A investigação identificou cerca de 30 anúncios diferentes promovendo abuso sexual infantil, alguns deles compartilhados por múltiplas contas. No total, foram observados também cerca de 20 anúncios exibindo pornografia com adultos. A distribuição desse tipo de material é considerada crime na Índia.
Embora a política da Meta proíba nudez e a exploração sexual de crianças, a investigação apontou falhas na moderação. Em um dos casos relatados, um anúncio que mostrava uma criança em situação de abuso foi mantido pela plataforma por 24 horas após a denúncia, sob a justificativa de que a revisão técnica não havia identificado violação das normas da comunidade.
Resposta da Meta e de autoridades
Em comunicado, a Meta afirmou que já desativou diversos anúncios, suspendeu contas responsáveis e bloqueou endereços de internet (URLs) de conteúdos que violam suas políticas. A empresa declarou que "nenhum sistema é perfeito" e que o processo de análise pode não detectar todas as violações, apesar do uso de tecnologia de detecção proativa.
A rede social destacou que, ao identificar exploração infantil, reporta os casos ao Centro Nacional de Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC), sistema global de comunicação sobre o tema. Recentemente, a Meta anunciou a redução do número de moderadores humanos em favor do aumento do uso de inteligência artificial para supervisão de conteúdos.
O juiz aposentado da Suprema Corte da Índia, Madan Lokur, manifestou preocupação de que a plataforma possa estar lucrando ao participar de atividades criminosas. Ele ressaltou que, embora a legislação proteja as redes sociais quanto ao conteúdo postado por usuários, a empresa não pode fugir de sua responsabilidade.
O Telegram, plataforma para a qual os anúncios direcionavam os usuários, informou que removeu mais de 274 mil grupos e canais relacionados a materiais de abuso sexual infantil em 2026. A empresa afirmou que utiliza uma combinação de moderação humana e automatizada para erradicar esse tipo de material de seu aplicativo.
