Diário Local
Ciência

Pesquisadores brasileiros descobrem mineral inédito na natureza dentro de diamante no Mato Grosso

Achado em Juína foi batizado de grahampearsonita e ajuda a entender a composição do interior da Terra

Por Diário Local

Pesquisadores brasileiros encontraram um mineral inédito na natureza escondido no interior de um diamante no município de Juína, no noroeste do Mato Grosso. O mineral, batizado de grahampearsonita, foi identificado em uma região conhecida pela presença de diamantes formados em grandes profundidades, entre 400 km e 800 km abaixo da superfície.

Embora uma substância equivalente já tivesse sido produzida em ambiente de laboratório, esta é a primeira vez que o composto é localizado de forma natural, seja na Terra ou em meteoritos. A descoberta foi publicada na revista American Mineralogist no dia 1º de junho.

Tiago Jalowitzki, professor da Universidade de Brasília (UnB), explicou que os minerais encontrados no diamante indicam condições de profundidade compatíveis com o intervalo de aproximadamente 450 a 750 quilômetros. O mineral é um fosfato composto por cálcio, fósforo e oxigênio.

Como foi feita a descoberta?

As primeiras análises ocorreram no Instituto de Física da UnB, utilizando uma técnica para obter a "impressão digital" dos minerais, etapa na qual foram identificados diferentes tipos de fosfato. Após essa fase, a amostra foi enviada para a Universidade de Padova, na Itália, onde diversas técnicas confirmaram que a composição não possuía correspondência com nenhum outro mineral conhecido.

Após a identificação, a Associação Mineralógica Internacional reconheceu oficialmente a grahampearsonita como um novo exemplar. O estudo teve a colaboração de pesquisadores do Brasil, Itália, China e Alemanha.

Além da UnB, participaram da pesquisa o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Qual a importância do achado?

A descoberta de novos minerais dentro de diamantes ajuda a ampliar o conhecimento sobre a composição do planeta e os processos que ocorrem no seu interior. Segundo Jalowitzki, os diamantes superprofundos funcionam como cápsulas do tempo, pois aprisionam minerais durante sua formação e os transportam para a superfície.

Esse processo preserva informações sobre as condições que existiam a centenas de quilômetros de profundidade. A associação da grahampearsonita com outros fosfatos também pode auxiliar na compreensão de como o fósforo é armazenado e reciclado entre a crosta e o manto terrestre.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.