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Tecnologia

Hackers passam a atuar como fontes de jornalistas e criam dilemas éticos na apuração

Pesquisa com profissionais dos EUA e Europa revela como jornalistas verificam dados de invasões e lidam com o uso de informações de hackers.

Por Redação Diário Local

O uso de dados obtidos por meio de invasões cibernéticas, prática conhecida como 'hack-and-leak', está desafiando os limites éticos e os métodos de apuração do jornalismo mundial. Uma pesquisa realizada com 10 jornalistas dos Estados Unidos e da Europa revela que a relação entre profissionais da imprensa e hackers é uma prática emergente e ainda carece de diretrizes fixas ou métodos padronizados.

Os profissionais consultados atuam desde redações de jornalismo investigativo até publicações especializadas em tecnologia e notícias generalistas. Eles descrevem que o tratamento desses materiais ocorre de forma individualizada, conforme a natureza do vazamento e o contexto da informação.

Enquanto uma parte dos repórteres aplica ferramentas clássicas de investigação — como checagem rigorosa, entrevistas e contextualização de grandes conjuntos de dados —, outro grupo foca no monitoramento técnico e contínuo. Esse segundo nicho monitora exposições de dados em tempo real, coletando informações em repositórios na internet, na dark web ou em serviços de armazenamento em nuvem sem proteção.

Como os hackers interagem com a imprensa?

Segundo o estudo, os hackers têm demonstrado um amadurecimento estratégico na forma como abordam os veículos de comunicação. Em vez de apenas publicar conteúdos de forma aleatória em redes sociais, como o X (antigo Twitter), muitos agora selecionam propositalmente repórteres que consideram capazes de compreender a complexidade da história.

A pesquisa aponta que o perfil desses agentes é diverso e as classificações podem ser complexas. Existem criminosos cibernéticos motivados por interesses financeiros, que utilizam vazamentos como uma forma alternativa de extorsão contra empresas e órgãos.

Há também agentes ligados a governos que podem se apresentar como hacktivistas independentes para conferir aparência de credibilidade política a dados roubados. Por outro lado, grupos de hacktivistas podem agir por motivações ideológicas e interesse público, buscando expor crimes ou condutas antiéticas de grandes corporações.

Quais são os desafios de verificação e ética?

Para lidar com o risco de informações adulteradas, os jornalistas utilizam técnicas de verificação convencionais. O processo inclui o cruzamento de dados com fatos conhecidos, a conferência de registros de empresas para confirmar a existência de e-mails e o exame de arquivos em busca de sinais de manipulação.

A transparência é apontada como um pilar essencial para manter a credibilidade. Os profissionais recomendam que, quando a identidade de uma fonte é desconhecida, a reportagem informe abertamente que não é possível confirmar a autoria do vazamento, mas que a autenticidade dos dados foi verificada.

A proteção de fontes também gera debates sobre segurança. Alguns jornalistas estendem aos hackers todo o sigilo oferecido a qualquer outra fonte, recusando-se a colaborar com autoridades mesmo em casos de crimes. Outros preferem saber o mínimo possível sobre o interlocutor para reduzir os riscos de exposição para ambos os lados.

Em casos onde os materiais já circulam amplamente em fóruns de crimes cibernéticos, a proteção da fonte é tratada como uma questão secundária, uma vez que o conteúdo já está disponível publicamente na rede.

Quando a publicação de dados roubados é justificável?

No campo ético, a decisão de publicar materiais obtidos por invasões depende das particularidades de cada situação e do interesse público envolvido. Não há uma regra única que possa ser estabelecida antecipadamente para todos os casos.

Para os profissionais ouvidos, a divulgação de dados de invasões pode ser considerada justificável quando o objetivo principal é expor a prática de crimes graves. Embora a invasão de dispositivos seja um ato tecnicamente irregular, o valor da informação para a sociedade pode sobrepor-se ao método de obtenção.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.