Eleitores dos EUA decidem sobre restrição de data centers voltados para inteligência artificial
Votação em dez estados americanos avalia propostas que podem proibir ou atrasar novas instalações de centros de processamento de dados.
Por Redação Diário Local
Eleitores de dez estados dos EUA decidirão, na próxima terça-feira (3), sobre a possibilidade de restringir a implantação de data centers em suas comunidades. A medida ocorre em um momento de expansão acelerada dessas instalações para atender à demanda por inteligência artificial (IA).
De acordo com o grupo de pesquisa Ballotpedia, a resistência local é evidente em diversas regiões, com eleitores em mais de uma dúzia de jurisdições avaliando 21 propostas paralelamente às eleições de meio de mandato. No total, 38 jurisdições locais analisarão ao menos 41 medidas que podem atrasar, proibir ou impor novos requisitos aos centros de processamento de dados.
Quais são as preocupações locais?
A oposição às instalações de grande porte, que fornecem o poder de computação para aplicativos de IA, tem ganhado força em diversos espectros políticos. Em Ohio, um dos mercados de maior crescimento no país, a resistência é particularmente alta.
Jessica Baker, integrante do grupo de defesa Conserve Ohio, afirma que tanto democratas quanto republicanos apoiam as proibições. Segundo ela, o foco da resistência está no elevado consumo de eletricidade e água, além de preocupações com a saúde da população, como o aumento de quadros de asma.
Mesmo quando os desenvolvedores preveem o uso de energia própria, por meio de reatores nucleares ou turbinas a gás, o receio de moradores sobre a proximidade das instalações com as comunidades permanece como um fator de resistência.
Impacto no setor de tecnologia
A aprovação de restrições pode mudar o mapa de investimentos em infraestrutura de TI. Baron Fung, do Dell’Oro Group, observa que os desenvolvedores tendem a redirecionar projetos para outros locais em vez de abandoná-los completamente diante de obstáculos regulatórios.
Atualmente, o setor já enfrenta desafios como custos crescentes de construção e longos períodos de espera para conexão à rede elétrica. Apesar do atrito em certas regiões, a capacidade de data centers em construção nos EUA cresceu 48% entre dezembro de 2025 e junho de 2026, segundo dados da Cushman & Wakefield.
Em Sunbury, próximo a Columbus, uma proposta de proibição para centros que consumam mais de 25 megawatts de energia pode afetar um projeto de US$ 2 bilhões da Amazon. Em nota, a empresa afirmou que busca trabalhar com autoridades locais para gerar empregos e impostos, independentemente do resultado das medidas específicas.
