Inteligência artificial transforma rotina jurídica, mas não substitui o fator humano, diz advogada
Uso de IA no Direito traz avanços em produtividade, mas criminosos utilizam tecnologia para aplicar golpes contra clientes.
Por Redação Diário Local
A inteligência artificial (IA) tem transformado a rotina de escritórios, tribunais e clientes ao realizar tarefas como redação, resumo, pesquisa e organização de dados. Apesar da rápida evolução tecnológica, especialistas apontam que a automação não substitui o fator humano e a sensibilidade necessários no atendimento jurídico.
O avanço da tecnologia no setor também trouxe novos desafios de segurança, como o surgimento do chamado “golpe do falso advogado”. Nesse tipo de fraude, criminosos utilizam nomes, imagens, dados de processos e até a voz de profissionais para enganar cidadãos e induzir transferências financeiras indevidas.
Para enfrentar essa modalidade de crime, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem promovido campanhas de orientação e disponibilizado ferramentas para a verificação da identidade profissional. O Judiciário também trabalha no estabelecimento de diretrizes que priorizam a transparência, a proteção de direitos fundamentais e a supervisão humana sobre sistemas automatizados.
Embora as ferramentas de IA consigam localizar decisões em poucos segundos e sugerir argumentos jurídicos, elas possuem limitações inerentes ao trato com o cliente. A tecnologia não consegue replicar a capacidade de escuta e o discernimento necessários para lidar com o peso emocional de situações como uma demissão ou uma injustiça.
Quais são os limites da tecnologia no Direito?
A atuação jurídica envolve lidar com conflitos humanos que vão além de códigos e sistemas de busca. O papel do profissional é transformar a vulnerabilidade do cliente em defesa técnica, garantindo que o direito abstrato se torne uma possibilidade concreta de justiça.
A própria Constituição Federal estabelece que o advogado é indispensável à administração da Justiça, funcionando como uma garantia democrática para o cidadão. Essa função exige uma presença que a automação não consegue reproduzir integralmente, especialmente no que diz respeito a lidar com a urgência e a esperança dos jurisdicionados.
O cenário futuro da advocacia deve integrar a automação e as novas tecnologias como aliadas do cotidiano jurídico. No entanto, o setor busca equilibrar a inovação com a manutenção da consciência, da sensibilidade e do compromisso ético no atendimento ao público.
A tendência é que a profissão avance sem renunciar aos elementos que sustentam a relação de confiança entre advogado e cliente. O desafio central reside em utilizar a inteligência artificial para otimizar processos, sem perder a capacidade de ouvir e compreender a complexidade das questões humanas.
