Uso de inteligência artificial em clínicas médicas na China supera a média global
Relatório da Elsevier mostra que 56% dos médicos chineses utilizam inteligência artificial, acima dos 49% registrados mundialmente.
Por Redação Diário Local
Mais da metade dos profissionais clínicos na China já utiliza inteligência artificial (IA) em seu trabalho diário, superando a média global de integração da tecnologia. Segundo o relatório “O Médico do Futuro 2026”, divulgado pela Elsevier na Conferência Mundial de Inteligência Artificial de 2026, o índice de adoção na China é de 56%, enquanto a média entre os médicos de todo o mundo é de 49%.
O estudo, que entrevistou 2.757 profissionais de saúde em 118 países e regiões, indica que o uso de ferramentas de IA está evoluindo de tarefas administrativas para aplicações clínicas mais complexas, como o suporte à decisão e o monitoramento de pacientes. Entre os usuários da tecnologia, 34% utilizam ferramentas especificamente voltadas para a área clínica, um aumento frente aos 22% registrados em 2025.
Como está a confiança dos médicos na tecnologia?
Apesar do crescimento na adoção, a confiabilidade das ferramentas ainda é um obstáculo para uma implementação mais ampla. Apenas 37% dos entrevistados em nível global afirmaram considerar as ferramentas de IA atuais como confiáveis. Os profissionais agora priorizam a facilidade de uso, a transparência e a qualidade das fontes de dados.
De acordo com Jia Xuming, diretor médico da Elsevier para a Grande China, os médicos estão entrando em uma fase de maior exigência, questionando se os resultados entregues pela IA são tecnicamente integrados ao ambiente clínico e se oferecem benefícios tangíveis. A análise foca agora na qualidade dos dados subjacentes para garantir resultados razoáveis.
Desafios na rotina e satisfação profissional
O relatório aponta pressões crescentes nos sistemas de saúde. Cerca de 61% dos profissionais entrevistados relataram um aumento no número de pacientes atendidos em comparação ao ano anterior, e 39% alertaram que a fadiga e o esgotamento profissional prejudicam a capacidade de cuidado.
Na China, embora 82% dos médicos afirmem ter tempo suficiente para os pacientes, a satisfação no trabalho é de 66%, valor abaixo da média global de 78%. Esse cenário sugere que o alto volume de demandas pode impactar as vidas pessoais dos profissionais no país.
O papel da IA no futuro da medicina
A preocupação com a substituição da mão de obra humana é considerada baixa: 80% dos médicos acreditam que a IA não substituirá as equipes clínicas nos próximos 5 a 10 anos. Além disso, 56% esperam que a tecnologia melhore os resultados para os pacientes nos próximos dois a três anos.
Xiang Peng, do Instituto de Tecnologia e Inovação em Computação da Universidade de Zhejiang, destacou que a IA pode aumentar a eficiência, mas ressaltou que a decisão final permanece com o médico. Para ele, a construção da confiança exige processos rigorosos de teste e validação com dados reais de pacientes em diferentes hospitais.
