IA pode aumentar volume de trabalho em vez de gerar tempo livre, alerta especialista
Uso de inteligência artificial pode acelerar entregas, mas corre o risco de sacrificar relações humanas e competências de liderança.
Por Redação Diário Local
O uso da inteligência artificial (IA) nas empresas tem acelerado processos e reduzido tarefas operacionais, mas traz o risco de ser utilizado apenas para aumentar o volume de trabalho em vez de proporcionar tempo para atividades estratégicas. O cenário exige que as organizações utilizem o ganho de eficiência para melhorar a qualidade das decisões e das relações humanas, indo além da simples geração de mais entregas.
Embora a tecnologia tenha o potencial de liberar profissionais para funções mais complexas, muitas equipes ainda encontram dificuldades para manter espaços de diálogo e construção de confiança. Competências essenciais, como escuta, empatia, influência e gestão de conflitos, dependem de interações cotidianas que a automação não substitui.
A automação de tarefas técnicas pode gerar uma falsa sensação de produtividade se o tempo economizado não for reinvestido em inteligência de negócio. Se uma ferramenta reduz o tempo de elaboração de um relatório, por exemplo, o ganho deve ser convertido em análise de dados, conversa com clientes ou desenvolvimento de equipes.
O que muda no mercado de trabalho?
A necessidade de adaptação profissional é urgente diante das mudanças tecnológicas. Segundo o relatório Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, 39% das habilidades utilizadas pelos trabalhadores atualmente devem passar por mudanças ou se tornarem obsoletas até o ano de 2030.
O mesmo estudo aponta que, enquanto o trabalho técnico é automatizado, o peso das capacidades humanas cresce. Liderança e influência social figuram entre as competências mais valorizadas, ao lado de habilidades centrais como a escuta ativa e a empatia.
O desafio das lideranças e do RH
Para o setor de Recursos Humanos (RH), o desafio vai além de oferecer treinamentos sobre ferramentas tecnológicas ou comandos de comandos de IA. É necessário desenvolver o pensamento crítico para que os colaboradores compreendam onde a tecnologia auxilia, onde ela pode falhar e como utilizá-la para aprimorar o fluxo de trabalho.
Além disso, a estrutura organizacional precisa ser avaliada. Se o modelo de gestão não garante tempo para que os líderes realizem feedbacks ou conduzam conflitos, a tecnologia sozinha não resolverá a falta de conexão entre os colaboradores.
O objetivo final para as organizações deve ser o uso da IA para reduzir tarefas de baixo valor agregado. Dessa forma, as empresas podem abrir espaço para decisões mais embasadas e para o fortalecimento das relações que sustentam os resultados de longo prazo.
