Implante cerebral permite que voluntários paralisados se comuniquem por meio de avatar digital
Dispositivo registra atividade elétrica do cérebro e usa inteligência artificial para traduzir intenções em gestos e fala.
Por Redação Diário Local
O uso de um implante cerebral permitiu que dois voluntários com paralisia grave realizassem comunicações por meio de um avatar digital. A tecnologia registra a atividade elétrica cerebral quando o usuário tenta falar ou realizar gestos, transmitindo os dados para uma inteligência artificial (IA) que interpreta e executa as ações no ambiente virtual.
A iniciativa foi liderada pela Universidade da Califórnia em São Francisco, nos Estados Unidos, e os resultados foram publicados na revista Nature Neuroscience em setembro. O sistema utiliza interfaces cérebro-computador (BCIs) para permitir que o avatar realize movimentos como acenar, balançar a cabeça e mexer os ombros, além de reproduzir a fala.
Como funciona o implante cerebral?
Para o desenvolvimento da tecnologia, os participantes utilizaram uma grade composta por 253 eletrodos posicionados em uma região do cérebro ligada à fala e aos movimentos. Durante o treinamento, os voluntários praticaram frases e gestos específicos para que a atividade cerebral fosse registrada.
A partir dos registros, a inteligência artificial foi treinada para identificar os padrões vinculados às intenções dos usuários. Uma vez conectado ao avatar digital, o sistema permitiu que os participantes respondessem a perguntas e comentários através dos comandos reconhecidos pelo algoritmo.
Quais foram os resultados dos testes?
Os índices de precisão variaram entre os voluntários. No primeiro teste realizado, um dos participantes alcançou 100% de precisão tanto na fala quanto nos gestos. O segundo participante registrou 75% de precisão na fala e 85% nos movimentos gestuais.
Em um segundo experimento, houve uma redução nos percentuais de acerto de ambos os voluntários, mas a precisão não ficou abaixo de 65% em nenhum momento. O diferencial apontado como principal é a capacidade de o usuário combinar fala e gestos em um mesmo sistema, algo essencial para o contexto da comunicação humana.
Quais são os próximos passos?
Apesar dos resultados promissores, especialistas indicam que a tecnologia ainda não é definitiva para uso em larga escala. O sistema de interface cérebro-computador precisa passar por novos aprimoramentos técnicos.
Também é necessário realizar um aumento no vocabulário disponível no algoritmo para que indivíduos com dificuldades de fala possam utilizar o dispositivo de forma efetiva no cotidiano.
