Estudo da UnB identifica fatores que podem garantir selo de qualidade ao café do Distrito Federal
Pesquisadores identificaram altitudes elevadas e manejo de pequenas propriedades como diferenciais para o café brasiliense
Por Redação Diário Local
Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) identificaram fatores que podem permitir o reconhecimento oficial da qualidade do café produzido no Distrito Federal. A análise inicial indica que o território possui características com potencial para diferenciação territorial, o que pode conferir identidade única ao produto.
O estudo, liderado pela Faculdade de Ciências da Saúde (FS) da UnB, busca comprovar que o chamado "terroir" brasiliense — conjunto de fatores locais que influenciam o produto final — é um diferencial da região. A pesquisa conta com a participação de cientistas das áreas de química, farmácia, engenharia de alimentos e relações internacionais.
De acordo com os resultados divulgados em maio, três elementos principais distinguem a produção do DF. O primeiro fator são as altitudes elevadas, que favorecem o desenvolvimento dos grãos durante o cultivo.
Outro diferencial é a maior quantidade de pequenas propriedades irrigadas, o que permite um manejo mais cuidadoso e constante da cultura. Além disso, a ocorrência de uma estação seca durante o beneficiamento dos grãos auxilia no processo de secagem e preparação para a colheita.
O objetivo central do projeto é obter a Indicação Geográfica (IG) junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). Esse selo de propriedade intelectual reconhece produtos ou serviços que são típicos de um local específico.
Para conquistar a certificação, o Inpi realiza análises rigorosas sobre atributos naturais, como solo, relevo e clima. O órgão também avalia fatores humanos, que englobam as técnicas de produção e o manejo dos grãos empregados pelos produtores.
Impacto econômico e continuidade do estudo
A UnB afirma que o recebimento da Indicação Geográfica pode agregar valor comercial ao café do Distrito Federal. O selo funcionaria como um reforço à identidade regional e tem o potencial de elevar os rendimentos financeiros dos produtores locais.
A professora Lívia de Lacerda, coordenadora da pesquisa, informou que o projeto realiza o mapeamento da cafeicultura e o levantamento de fatores ambientais desde 2024. O diagnóstico territorial foi desenvolvido em parceria com a Embrapa Café e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF).
A integração dos dados e a produção científica devem seguir em andamento ao longo de 2026. Na próxima fase, os pesquisadores pretendem comparar os cafés do DF com os produzidos em outras regiões do Brasil para confirmar se as características são ligadas exclusivamente ao território brasiliense.
As variedades de café com maior interesse para o estudo são o catuaí vermelho, o catuaí amarelo e o arara. Todas as amostras analisadas pertencem à espécie Coffea arabica.
