Método de semáforo inteligente reduz espera de pedestres em 71% em simulações em São Paulo
Estudo da USP mostra que tecnologia que detecta presença de pedestres na faixa otimiza tempo de travessia e melhora fluxo de veículos.
Por Redação Diário Local
Um método de semaforização inteligente desenvolvido pela Escola Politécnica da USP (Poli) reduziu em 71,42% o tempo médio de viagem de pedestres em simulações realizadas em São Paulo. A tecnologia permite que o sinal detecte se um pedestre ainda está na faixa de travessia e mantenha o sinal verde até que a passagem seja concluída.
O sistema funciona por meio de sensores que "enxergam" o usuário. Caso o dispositivo identifique que o pedestre — como um idoso ou pessoa com mobilidade reduzida — ainda não terminou de atravessar, o sinal para os veículos permanece fechado. Se a travessia for rápida, o semáforo libera o fluxo de carros imediatamente após a saída do pedestre.
Como funciona o sistema inteligente?
A lógica de programação utiliza a linguagem C# e o software PTV VISSIM para criar algoritmos capazes de monitorar o fluxo de pedestres e veículos. O objetivo é priorizar o movimento de quem caminha, que é considerado o elo mais vulnerável no espaço urbano, sem causar impactos negativos significativos no tráfego de carros.
Segundo Andrey Luís Barbosa Gomes, autor do trabalho, o programa busca garantir a segurança de quem circula a pé. O foco é evitar que a espera excessiva faça com que pedestres se arrisquem atravessando entre os veículos ou fora das faixas.
O estudo utilizou dados sobre a geometria das vias, o volume de tráfego e os movimentos realizados pelos pedestres, incluindo casos de infrações para criar simulações fiéis à realidade das ruas.
Onde foram realizados os testes?
As simulações foram aplicadas em quatro locais estratégicos de São Paulo: em frente ao Hospital Universitário e na "Praça dos Bancos" (ambos dentro da Cidade Universitária), no Terminal Rodoviário Cidade Tiradentes e no cruzamento entre a Avenida Rebouças e a Rua Oscar Freire.
A escolha da Cidade Tiradentes visou testar a tecnologia em áreas de urbanização não planejada, assegurando que o benefício alcance também moradores de regiões periféricas. Já o teste no Hospital Universitário focou em um ponto de alta vulnerabilidade, devido à circulação de pacientes, idosos e pessoas com mobilidade reduzida.
Os resultados mostraram que, nos modelos do Hospital Universitário e do Terminal Cidade Tiradentes, a redução no tempo de espera foi de 1 minuto. Na Praça dos Bancos, a redução foi de 58 segundos. O tempo máximo de espera para os pedestres também caiu, em média, 69%.
Impacto no fluxo de veículos
Embora o foco da pesquisa tenha sido o pedestre, os veículos também registraram melhorias. Em modelos da Praça dos Bancos e do Terminal Cidade Tiradentes, o tempo médio de espera para os motoristas diminuiu em 22%.
O docente da Poli e orientador do estudo, Claudio Luiz Marte, ressaltou que, apesar de os sistemas de controle de tráfego costumarem priorizar veículos ou ônibus, a análise direcionada ao fluxo do pedestre é essencial para a segurança viária.
Os pesquisadores consideraram aceitável o aumento de 30,90 segundos no tempo máximo de espera para veículos detectado nas simulações, pois o objetivo principal era a fluidez da travessia humana.
