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Agronegócio

Demanda por café conilon especial cresce em cafeterias do Espírito Santo

Uso do grão como café especial em vez de apenas mistura para solúveis aumenta o interesse no mercado capixaba.

Por Redação Diário Local

A demanda por café conilon em cafeterias do Espírito Santo registra um crescimento consistente, com o grão deixando de ser apenas um ingrediente para misturas industriais para ocupar máquinas de espresso e gôndolas. O movimento, observado em cidades como Vitória e Linhares, sinaliza que o conilon especial está ganhando espaço no mercado de consumo direto.

O processo de transição é impulsionado pela busca por maior qualidade técnica no campo. Produtores rurais têm investido em métodos de cultivo, colheita e torra para entregar grãos com perfis sensoriais mais complexos, visando atender ao público que busca cafés especiais.

A produtora rural e mestre de torra Kissia Dal’Orto, proprietária da Fazenda Flor de Lis, em Linhares, afirma que o interesse do mercado é real. Segundo ela, o feedback do público tem sido positivo, especialmente em bebidas preparadas para espresso. Dal’Orto é uma das fundadoras da Pro-Conilon, associação que conecta produtores de municípios como Linhares, Jaguaré e Rio Bananal ao mercado consumidor.

O que muda no perfil sensorial do café?

A principal distinção entre o conilon e o arábica não reside mais na qualidade, mas no perfil de sabor. Enquanto o café arábica costuma apresentar notas mais meladas ou frutadas, o conilon especial pode oferecer características mais achocolatadas e um teor de cafeína mais elevado.

Wagner Carmo, sócio da cafeteria Quinto Aroma, em Vitória, destaca que a inclusão da espécie em seu cardápio foi uma escolha intencional para oferecer novas experiências. Ele aponta que o profissionalismo no campo, do plantio à torra, tem permitido a produção de cafés muito aromáticos.

Para o empreendedor, o conilon não perde em qualidade para o arábica, variando apenas o gosto de quem consome. Na cafeteria, a ideia é diversificar a oferta, disponibilizando diferentes marcas da espécie tanto para o consumo no local quanto para venda em gôndolas.

Liderança na produção nacional

O Espírito Santo consolidou-se como o maior produtor de conilon do Brasil. O estado concentra 67% da produção nacional da espécie e possui mais de 49 mil propriedades dedicadas ao cultivo do grão.

Historicamente, a maior parte do volume produzido capixaba era comercializada como commodity, destinada majoritariamente à produção de café solúvel. O cenário atual mostra o setor iniciando um caminho de especialização similar ao do arábica, priorizando a identidade, a origem e o valor agregado para o consumidor final.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.