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Agronegócio

Uva núbia expande cultivo em Jales e deve movimentar R$ 130 milhões na safra deste ano

Variedade desenvolvida pela Embrapa resiste ao frio e a doenças, atraindo produtores da região de Jales (SP).

Por Redação Diário Local

A uva núbia vem ganhando espaço na região de Jales (SP) devido à sua alta produtividade e resistência às variações climáticas. Com a variedade ocupando 600 hectares, a expectativa é que a produção movimente cerca de R$ 130 milhões na safra deste ano, informou a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI).

Atualmente, aproximadamente 350 viticultores cultivam a fruta na região, com uma previsão de colheita superior a 20 mil toneladas. A variedade, que possui sementes, é considerada uma das preferidas no mercado nacional por apresentar cachos grandes e coloração escura.

Desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Uva e Vinho, a cultivar apresenta vantagens técnicas para o cultivo em larga escala. Segundo o pesquisador João Dimas Garcia Maia, a uva núbia não sofre com os efeitos do frio e consegue manter a produção estável ao longo de todo o ano.

Outro diferencial importante é a menor necessidade de mão de obra, uma vez que a planta demonstra resistência a doenças fúngicas. Essas características tornam a variedade uma alternativa estratégica para produtores que enfrentam perdas com outras espécies.

A produtora Ângela Rabetti Dias Maia, que mantém um cultivo de 40 mil pés de uva niágara, decidiu apostar na núbia após observar queda na produção da variedade anterior em períodos de baixas temperaturas. Em parceria com o produtor Ilton Alves, ela destaca que a núbia permanece produtiva mesmo quando o aumento das chuvas causa atrasos na colheita da niágara.

Por que a uva núbia é resistente?

A resistência da variedade envolve tanto fatores climáticos quanto biológicos. Além de suportar temperaturas baixas sem comprometer o rendimento, a planta possui uma defesa natural contra fungos, o que reduz a necessidade de intervenções frequentes no campo.

Essa estabilidade produtiva tem gerado impacto direto na rentabilidade do setor vitivinícola regional. Em Palmeira D’Oeste, por exemplo, o produtor João Guilherme Cardoso projeta colher 80 toneladas em seus 2.500 pés de uva núbia, um aumento de 20% em comparação ao ano passado.

A valorização econômica também é observada no preço de mercado. O produtor de Palmeira D’Oeste relatou que o valor do quilo da fruta subiu de R$ 5 para R$ 6,50, impulsionando a comercialização para regiões como o Sul do Brasil.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.