Status sanitário contra febre aftosa amplia exportações de carne brasileira para China e Rússia
Reconhecimento internacional como país livre de febre aftosa sem vacinação abre mercados estratégicos para carnes bovina e suína.
Por Redação Diário Local
O reconhecimento internacional do Brasil como território livre de febre aftosa sem vacinação consolidou a credibilidade da pecuária nacional e ampliou o acesso das carnes bovina e suína a mercados estratégicos. O status sanitário tornou-se um diferencial competitivo para o país entre os maiores exportadores mundiais de proteínas animais.
A febre aftosa é uma doença viral altamente contagiosa que afeta animais de casco fendido, como bovinos, suínos, ovinos e caprinos. Embora a enfermidade raramente represente risco para seres humanos, ela provoca febre e lesões nos animais, podendo gerar grandes perdas econômicas.
O impacto financeiro ocorre principalmente pela queda na produtividade e pelas restrições impostas ao comércio internacional de carnes e produtos de origem animal. Por esse motivo, o controle da doença é considerado um dos pilares fundamentais da defesa agropecuária brasileira.
O Brasil não registra casos de febre aftosa desde 2006. Em 2025, a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) conferiu ao país o reconhecimento de território livre da doença sem vacinação, nível que exige padrões de segurança sanitária ainda mais elevados.
Abertura de mercados na China e na Rússia
Em junho deste ano (2026), a China reconheceu oficialmente todo o território brasileiro como livre de febre aftosa. A decisão encerrou uma negociação de dois anos e eliminou restrições que existiam para alguns estados brasileiros.
Com a medida, o Brasil passou a ter condições de ampliar as exportações de produtos bovinos e suínos de maior valor agregado, como miúdos e carnes com osso. A China é o principal destino das exportações do agronegócio nacional.
Dias após o anúncio chinês, a Rússia também reconheceu oficialmente o Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação. Segundo os governos brasileiro e russo, o movimento reflete a confiança no sistema de defesa agropecuária do país.
Investimentos em prevenção e contingência
Para garantir a manutenção desse status, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) colocou em operação, em julho deste ano (2026), o Banco Nacional de Antígenos para Febre Aftosa. A estrutura está instalada em Garín, na Argentina.
O banco funciona como uma reserva estratégica de antígenos para a produção de vacinas, permitindo uma resposta rápida em caso de detecção de novos focos. A iniciativa integra o plano nacional de contingência sanitária do país.
O objetivo da estrutura é proteger o rebanho nacional, composto por mais de 230 milhões de bovinos. O ministro do Mapa, André de Paula, afirmou que a medida reforça o compromisso com a proteção do rebanho e a credibilidade da defesa agropecuária brasileira.
