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Educação

Um em cada quatro alunos quer melhoria no ensino como prioridade para próximos governadores

Pesquisa do Datafolha revela que estudantes da rede estadual focam em qualidade de aprendizagem e estrutura escolar para 2027

Por Redação Diário Local

Um em cada quatro estudantes brasileiros do ensino médio da rede estadual deseja que melhorias no ensino e na aprendizagem sejam prioridade para o próximo governador de seu estado. O dado integra a pesquisa "O que os estudantes pensam sobre a Educação?", realizada pelo Instituto Datafolha.

O levantamento foi encomendado por diversas instituições do setor educacional, como a Fundação Telefônica Vivo e o Todos Pela Educação, e reflete as expectativas para os mandatos que se iniciam em 2027. Além do foco pedagógico, os jovens listaram a estrutura escolar e a qualidade da merenda como outros pontos centrais para os novos governos.

Para o grupo de estudantes consultados, a qualidade do ensino está diretamente relacionada à atuação do corpo docente. Entre as demandas citadas de forma espontânea, os jovens apontaram a necessidade de aulas mais dinâmicas, maior número de professores, capacitação profissional e redução das faltas dos docentes.

A infraestrutura física das unidades de ensino também aparece como uma demanda relevante no estudo. Segundo os dados, 22% dos alunos do ensino fundamental II e 18% dos estudantes do ensino médio esperam mais investimentos na estrutura das escolas.

A alimentação escolar foi outra preocupação mencionada no levantamento. O desejo por melhoria na qualidade da merenda foi citado por 10% dos alunos do ensino fundamental II e por 8% dos estudantes do ensino médio.

Gabriel Corrêa, diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação, afirma que os estudantes colocam as oportunidades de aprendizagem no topo de suas expectativas. Para ele, o dado reforça que a aprendizagem deve ser a prioridade absoluta das políticas públicas nos próximos anos.

A pesquisa foi realizada com 5.296 alunos das cinco regiões do país, abrangendo o ensino fundamental II e o ensino médio. O estudo investigou temas como educação profissional, uso de tecnologia e a implementação de itinerários no Ensino Médio.

Tecnologia e educação profissional

No campo da formação, mais de 90% dos estudantes consideram fundamental ter a oportunidade de realizar cursos técnicos ou profissionalizantes durante o ensino médio. No cotidiano escolar, a tecnologia já faz parte da rotina: 70% dos alunos afirmam que os professores utilizam recursos tecnológicos nas aulas pelo menos uma vez por semana.

Contudo, o levantamento aponta um desafio na preparação docente para o uso desses recursos. Cerca de um em cada três estudantes discorda que os professores estejam bem preparados para utilizar a tecnologia em sala de aula.

O uso de Inteligência Artificial (IA) já é uma realidade consolidada entre os jovens. Segundo o estudo, 71% dos estudantes relatam que utilizam a ferramenta com frequência ou ocasionalmente para auxiliar nos estudos.

Lia Glaz, diretora-presidente da Fundação Telefônica Vivo, destaca que o desafio é garantir um uso pedagógico e responsável da IA. Ela reforça a necessidade de fortalecer a formação docente para incorporar essas tecnologias às práticas educacionais de forma assertiva.

Percepção de qualidade e tempo integral

A forma como os professores explicam o conteúdo tem impacto direto na avaliação que o aluno faz da instituição. Entre os estudantes que afirmam que os docentes explicam bem a matéria, 75% classificam a escola como boa ou ótima.

Em contrapartida, a percepção de qualidade cai significativamente quando a explicação é apontada como insuficiente. Entre os alunos que dizem que os professores não explicam bem o conteúdo, o percentual de avaliações positivas cai para 48%.

A motivação dos professores também foi monitorada. No ensino fundamental II, 78% dos estudantes consideram que os docentes estão motivados para dar aulas, enquanto no ensino médio esse número é de 69%.

O estudo também identificou lacunas no quadro de profissionais. No ensino médio, 66% dos alunos concordam que algumas disciplinas ficam períodos sem professor, dado que também é citado por 61% dos estudantes do ensino fundamental II.

Quanto à jornada escolar, o modelo de ensino em tempo integral apresenta índices de satisfação superiores. Os alunos que participam dessa modalidade avaliam a escola como boa ou ótima em 74% dos casos, contra 68% dos alunos do ensino regular.

Entre os estudantes do ensino médio que não estão no regime de tempo integral, 20% relataram que precisam trabalhar ou exercer alguma atividade para garantir renda. O modelo integral é visto pelos alunos como um facilitador para o estudo de vestibular e Enem.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.