Eleições geram episódios de bullying político entre alunos em escolas do país
Relatos de ofensas, perseguições e intimidações motivadas por divergências políticas em instituições de ensino são registrados em diversas regiões.
Por Redação Diário Local
A tensão política observada durante o segundo turno das eleições, ocorrido no último domingo (25), tem gerado reflexos no ambiente escolar, com registros de episódios de bullying político entre estudantes em diferentes partes do Brasil.
Casos de ofensas, ameaças e intimidações motivadas por divergências de apoio aos candidatos foram relatados em instituições de ensino no Distrito Federal, em São Paulo e no Paraná. As situações envolvem desde crianças de idade escolar até adolescentes.
Relatos no Distrito Federal
No Distrito Federal, um estudante de 16 anos relatou ter sofrido perseguição em uma unidade do Centro Educacional 6, no Gama, após manifestar apoio ao senador Flávio Bolsonaro. O aluno afirmou em redes sociais que a situação o levou a buscar transferência para outra unidade de ensino.
A governadora Celina Leão solicitou que a Secretaria de Estado de Educação apurasse a denúncia. O caso envolveu também a deputada distrital eleita Estéfane Sampaio, que interviu para solicitar a transferência do aluno, o que gerou críticas do deputado distrital Gabriel Magno sobre a forma como a escola e os professores foram abordados.
A Secretaria de Educação informou que a Polícia Civil investiga o episódio e que um procedimento administrativo foi aberto para apurar as responsabilidades.
Incidentes em São Paulo e Paraná
Na capital paulista, episódios foram registrados em unidades da zona sul. Na Escola do Futuro, um pai denunciou que sua filha de 12 anos sofreu pressões de colegas na segunda-feira (27). Segundo o relato, a escola interveio no dia, conversando com as turmas e recolhendo adesivos políticos, mas o responsável afirma que a orientação pedagógica limitou-se a dizer que não se deveria discutir política no local.
Em resposta, a Escola do Futuro afirmou em nota que não tolera discriminação por opiniões políticas e que preza pelo diálogo e pela convivência. No Colégio Bandeirantes, um empresário utilizou as redes sociais para denunciar ataques verbais contra uma filha adolescente. O pai afirmou ter buscado a direção do colégio para propor mudanças nas políticas de mediação de conflitos, mas relatou ter recebido uma negativa.
O Colégio Bandeirantes enviou comunicado aos pais afirmando que os conflitos podem ser oportunidades de aprendizado e que busca promover o diálogo para a recomposição das relações, sem determinar o que os alunos devem pensar.
No Paraná, em Foz do Iguaçu, uma mãe relatou nas redes sociais que um estudante de 12 anos foi alvo de ofensas verbais relacionadas ao apoio ao presidente Lula. O relato gerou dezenas de comentários de outros pais descrevendo situações similares de intolerância política entre menores.
Impacto no desenvolvimento infantil
A reprodução de discursos de ódio e da polarização política por adultos tem consequências no desenvolvimento das crianças. De acordo com a psicóloga Vera Rocha Resende, mestre e doutora em psicologia clínica pela PUC-SP, esse comportamento prejudica a concepção de mundo e de vida dos jovens.
Para a especialista, a divisão do mundo em termos de "nós contra eles" implantada por meio desses conflitos cria raízes negativas na consciência infantil, demandando uma reeducação dos adultos que produzem esse comportamento.
