MPMG denuncia rede de clínicas que mantinha pessoas em cárcere e cometia tortura em Montes Claros
Ministério Público de Minas Gerais acusa proprietário e equipe de crimes como cárcere privado, estupro e trabalho forçado em Montes Claros.
Por Redação Diário Local
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou, nesta segunda-feira (20), uma rede de clínicas clandestinas em Montes Claros, no Norte de Minas, acusada de manter pessoas em cárcere privado e praticar tortura. Segundo o órgão, as irregularidades ocorreram entre 2023 e 2026.
As investigações apontam que 15 pessoas foram mantidas em regime de confinamento, sendo nove adolescentes e quatro mulheres com transtornos mentais. As vítimas ficavam trancadas, sem acesso a documentos ou telefones, e só podiam contatar familiares uma vez por semana, sob vigilância hipócrita.
De acordo com o MPMG, o grupo também praticava trabalho forçado, uso de medicamentos sem prescrição médica e agressões físicas. Entre as medidas de controle, as vítimas eram amarradas às camas com faixas de contenção.
Abusos e ameaças contra as vítimas
A denúncia aponta que o proprietário das unidades, identificado como líder do grupo, cometia abusos sexuais contra as internas. Adolescentes eram levadas a motéis sob a promessa de que seriam liberadas antecipadamente.
O histórico de violência inclui ameaças de morte e coação. Em novembro de 2025, o proprietário teria abandonado uma adolescente de 15 anos em uma rodovia após ameaçá-la caso relatasse os abusos. Em fevereiro de 2024, o investigado também teria orientado menores a negarem os crimes durante depoimentos ao Ministério Público.
As investigações registraram que o grupo agia para evitar fiscalizações. Em agosto de 2026, durante uma operação policial, cerca de 20 mulheres foram escondidas em uma área de mata para evitar a abordagem.
Irregularidades e movimentação financeira
Segundo o MPMG, parte das vítimas chegou às unidades por meio de decisões judiciais de internação compulsória, com despesas pagas por diversos municípios. No entanto, o órgão destaca que a lei proíbe internações compulsórias em comunidades terapêuticas, que só podem receber pessoas voluntariamente.
Entre 2022 e abril de 2026, as clínicas receberam mais de R$ 700 mil de pelo menos 23 municípios mineiros, além das mensalidades pagas pelas famílias. Mesmo após a interdição judicial ocorrida em 2025, as unidades continuaram funcionando clandestinamente.
O Ministério Público pediu a prisão preventiva de quatro acusados e o pagamento de uma indenização mínima às vítimas. O órgão também solicitou a abertura de novas investigações para apurar possíveis mortes e a participação de outros envolvidos no grupo.
