Delegada de Itapira é investigada por suposto uso de viatura para fins particulares
Investigação do Ministério Público e da Corregedoria apura denúncias de uso de viatura para ir à academia e atrasos em operações.
Por Redação Diário Local
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Corregedoria da Polícia Civil investigam a delegada Gilmara Natália Batista dos Santos por uma série de irregularidades funcionais. A policial, que responde pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e pela Delegacia Central de Itapira, no interior paulista, é alvo de denúncias que incluem o suposto uso de viatura para fins particulares e ausências no trabalho.
As investigações, iniciadas pelo MPSP em julho deste ano, apuram se a delegada utilizava uma viatura descaracterizada da Polícia Civil para trajetos particulares, como deslocamentos para academia e aeroporto para viagens internacionais. Além disso, o Ministério Público questiona a regularidade de sua escala presencial e se havia autorização para o cumprimento de tarefas em regime de home office.
As denúncias apontam que a conduta da delegada teria prejudicado o andamento de investigações e operações na região. Em um dos casos relatados, um suspeito de violência doméstica tentou tirar a própria vida durante uma diligência no dia 12 de junho (12). Segundo os denunciantes, a delegada teria chegado ao local apenas 1h30 após a comunicação do fato, enquanto policiais e peritos aguardavam sua presença para acessar a cena.
Outro episódio mencionado no processo envolve uma investigação sobre um grupo que realizaria atividades ilegais, como venda de drogas e porte de armas. De acordo com as denúncias, a operação para apurar as ocorrências teria sido deflagrada pela delegada apenas seis meses após as solicitações da Prefeitura de Itapira e do MPSP, resultando somente na apreensão de dois veículos e sem prisões.
As apurações também citam um caso em que a delegada teria acompanhado, à distância, os relatos sobre a fuga de um adolescente de dentro de um distrito policial. Na tentativa de capturar o jovem, houve disparos de arma de fogo e perseguição a pé, mas a titular da delegacia não teria comparecido ao local no momento do ocorrido, conforme apontam os relatos.
Investigação e providências
O MPSP enviou um pedido de esclarecimentos à Delegacia Seccional de Mogi Guaçu, responsável pela circunscrição de Itapira, em 4 de agosto. O órgão busca entender quais delegacias a policial respondia e qual era sua frequência de trabalho no último ano. Em nota, o Ministério Público confirmou que solicitou as informações, mas não detalhou se houve resposta da Seccional.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a Corregedoria instaurou um procedimento correcional para apurar a conduta profissional de Gilmara. A pasta afirmou que a delegada já prestou depoimento e que as investigações seguem em curso para elucidar os fatos.
A delegada Gilmara Natália Batista dos Santos acumula a titularidade da DDM e da Delegacia Central no município, que possui cerca de 72 mil habitantes. O espaço para manifestação da defesa segue aberto.
