Ministério Público denuncia quatro pessoas pela morte de jovem em salto de rope jump em Limeira
Denúncia aponta que grupo atuava sem segurança e visava lucro com redes sociais; acusados podem responder por homicídio com dolo eventual
Por Diário Local
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou, nesta terça-feira (7/7), quatro pessoas acusadas de envolvimento na morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, ocorrida durante a prática de rope jump em Limeira. A vítima foi arremessada de uma ponte sem o uso de cordas de segurança e não resistiu aos ferimentos causados pela queda.
Maicon Fernandes Cintra, Luis Felipe Feliciano Egoroff e Vitor de Freitas Gonçalves foram denunciados por homicídio com dolo eventual — quando se assume o risco de matar — qualificado por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Já Evelyne dos Santos Gonçalves foi denunciada por omissão imprópria e fraude processual, sob a acusação de tentar eliminar provas da investigação, como uma câmera GoPro que ainda não foi localizada.
De acordo com a denúncia, os responsáveis pela execução do salto tinham conhecimento dos riscos da atividade, mas não realizaram procedimentos básicos de segurança, como a conferência da conexão da corda e a dupla checagem dos equipamentos. O documento aponta que o grupo operava sem funções definidas e priorizava interesses econômicos e a divulgação de vídeos em redes sociais.
Como funcionava a atividade?
A prática de rope jump consiste em um salto de um local elevado com o praticante preso por uma corda conectada a uma âncora. No caso da morte de Maria Eduarda, ocorrida em 13 de junho na Ponte do Esqueleto, os instrutores não a prenderam à corda, resultando em uma queda livre de aproximadamente 30 metros.
O Ministério Público sustenta que a atividade era explorada de forma irregular. O grupo não possuía inscrição no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur) do Ministério do Turismo, não contratou seguro de responsabilidade civil e não utilizou termos de ciência de risco para os participantes, descumprindo exigências da Lei Geral do Turismo.
O que diz a denúncia sobre a organização?
A organizadora do evento é acusada de ter o dever de garantir padrões mínimos de segurança e interromper a atividade em condições inadequadadas, o que não teria feito mesmo após falhas semelhantes anteriores. A denúncia também menciona a tentativa de ocultar o conteúdo da câmera GoPro utilizada pela vítima para dificultar a elucidação dos fatos.
O MPSP requereu a manutenção da prisão preventiva dos três homens e a conversão da prisão temporária da mulher em preventiva. Os promotores também solicitaram que o Judiciário fixe o valor de R$ 200 mil para a reparação dos danos causados pela tragédia.
