Falta de infraestrutura amplia riscos de eventos climáticos para população de baixa renda
Falta de infraestrutura e moradias precárias aumentam exposição de populações vulneráveis a enchentes e temporais, aponta especialista
Por Redação Diário Local
A desigualdade na distribuição de infraestrutura e de investimentos públicos amplia os impactos de eventos climáticos extremos sobre a população de baixa renda. Moradores de regiões com habitações precárias e serviços insuficientes estão mais expostos a enchentes e temporais, além de enfrentarem maiores dificuldades de recuperação.
A avaliação é do professor Jeferson Tavares, do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP), em entrevista concedida na última terça-feira (3). Segundo o pesquisador, a falta de políticas habitacionais e de geração de renda força famílias de baixa renda a ocupar áreas ambientalmente vulneráveis.
O especialista utiliza o cenário de Ribeirão Preto (SP) para exemplificar essa disparidade urbana. A concentração de investimentos nas regiões mais valorizadas faz com que a população da zona Norte, de menor renda, seja severamente prejudicada por eventos extremos em comparação à zona Sul.
"Todos estão expostos aos riscos, mas, onde você tem maior concentração de riqueza, os riscos têm menor incidência; onde você tem menor concentração de riqueza, os riscos têm maior incidência", afirmou Tavares.
Por que o modelo de urbanização agrava os riscos?
O professor relaciona o agravamento dos impactos climáticos ao modelo de urbanização das cidades brasileiras. Para ele, o padrão atual é marcado pela dependência de automóveis, pela impermeabilização do solo e pela ocupação de áreas ambientalmente frágeis.
Segundo o pesquisador, a reconstrução de estruturas danificadas sem mudanças nesses padrões de ocupação mantém as cidades vulneráveis a novos desastres. Ele alerta que apenas reparar o que foi destruído não resolve o problema estrutural das cidades.
Como alternativa para mitigar os danos, o especialista defende investimentos em infraestrutura verde e azul, além de soluções baseadas na natureza e políticas de adaptação climática. O foco deve ser em medidas que considerem as características específicas de cada território.
Tavares também destaca a necessidade de integrar mobilidade, saúde, educação e gestão de resíduos aos planos municipais de prevenção de riscos, buscando uma abordagem multissetorial para o planejamento urbano.
Qual o papel da população no planejamento?
Para estruturar soluções eficazes, a participação direta dos moradores das regiões afetadas é considerada essencial. O especialista afirma que os planos municipais devem incluir mecanismos de escuta e discussão de soluções junto à comunidade local.
