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Segurança

Operação apura esquema de R$ 100 milhões que lavava dinheiro de facções como CV, PCC e TCP

Investigação da Polícia Civil e do Ministério Público aponta uso de empresas de fachada para ocultar recursos de organizações criminosas.

Por Davy Albuquerque

Uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro e do Ministério Público do Estado (MPRJ) aponta que uma organização criminosa movimentou mais de R$ 100 milhões em um esquema de lavagem de dinheiro entre 2021 e 2024. O grupo utilizava uma rede de empresas para dar aparência de legalidade a recursos provenientes de crimes organizados.

A Operação Hawala identificou que a estrutura funcionava como uma prestadora de serviços para o Terceiro Comando Puro (TCP). Além disso, o esquema era usado para ocultar valores ligados ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com as apurações, a rede de empresas dissimulava valores obtidos por meio de atividades como tráfico de drogas, receptação qualificada e o comércio de produtos falsificados. O objetivo era permitir a circulação de recursos ilícitos sem levantar suspeitas das autoridades.

O trabalho investigativo contou com o apoio do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD). O setor identificou indícios claros de incompatibilidade entre a movimentação financeira das empresas e as atividades econômicas que elas declaravam exercer.

As investigações revelaram que uma operadora financeira administrava empresas responsáveis por movimentar mais de R$ 47 milhões durante o período investigado. Esse braço da organização era fundamental para a logística financeira do grupo.

Um contador também é apontado como peça importante na engrenagem do esquema. Ele supostamente conferia aparência de regularidade às empresas e deixava de comunicar operações consideradas suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Como funcionava o esquema de lavagem?

Segundo a Polícia Civil, o grupo empregava diferentes mecanismos para dificultar o rastreamento do dinheiro. Entre as táticas estavam a criação de empresas de fachada e a realização de transferências sucessivas entre pessoas jurídicas.

O esquema também utilizava depósitos fracionados em dinheiro e o uso de pessoas interpostas, conhecidas como "laranjas". Essas manobras visavam esconder a origem do capital e dificultar o monitoramento pelos órgãos de controle.

A estrutura financeira permitia o fortalecimento de facções que atuam em diversas regiões do país. Ao oferecer o serviço de lavagem, a organização criminosa garantia que o capital das facções pudesse circular livremente no mercado formal.

As movimentações financeiras identificadas eram incompatíveis com a renda declarada pelos investigados. O uso de laranjas e de múltiplas empresas criava uma névoa sobre os reais proprietários dos recursos.

Ações e bloqueio de bens

Nesta quarta-feira (15), policiais civis e promotores do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão. As diligências ocorreram nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

A Justiça também determinou o bloqueio de ativos financeiros e a indisponibilidade de bens dos investigados. A medida busca asfixiar financeiramente o grupo e garantir o ressarcimento aos cofres públicos.

As investigações prosseguem para identificar outros integrantes da organização criminosa. O foco agora é rastrear novos ativos e entender a dimensão total das operações.

As autoridades também buscam aprofundar a apuração sobre a movimentação nacional e internacional dos recursos. O objetivo é descobrir se o dinheiro lavado pelo grupo alcançou outros países por meio da estrutura de empresas de fachada.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.