Mansão de suspeito de fraude bilionária no ICMS é alvo de operação em Campinas
Operação Distrato cumpre mandados de busca e apreensão para investigar suposto esquema de sonegação de impostos em São Paulo e Paraná
Por Davy Albuquerque
Uma mansão em um condomínio de luxo em Campinas, no interior de São Paulo, foi um dos principais alvos de busca e apreensão da Operação Distrato, deflagrada nesta quarta-feira (15/7). A ação, coordenada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira/SP), investiga um suposto esquema bilionário de sonegação de impostos.
As investigações apontam que escritórios de advocacia e empresas de consultoria ofereciam a empresários paulistas a possibilidade de reduzir o pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O método consistia na compra de supostos créditos tributários vendidos com desconto.
Segundo o apurado, os intermediários do esquema afirmavam que os créditos eram legais e possuíam autorização da Secretaria da Fazenda. A operação era apresentada aos clientes como uma modalidade legítima de planejamento tributário.
A Operação Distrato cumpre um total de 38 mandados de busca e apreensão. As diligências ocorrem em cidades do estado de São Paulo, como Campinas, Jundiaí e Ribeirão Preto, além de Londrina e Cambé, no Paraná.
A força-tarefa conta com a participação de servidores do Ministério Público de São Paulo (MPSP), auditores fiscais, procuradores do estado e policiais civis e militares. No imóvel de Campinas, agentes do 1º Batalhão de Ações Especiais (Baep) realizaram o cumprimento do mandado.
O alvo da operação em Campinas concentrou grande parte das buscas. Imagens do local mostram uma fachada com estátuas de leões e obras de arte no interior da residência, embora o nome do proprietário do imóvel não tenha sido divulgado pelas autoridades no momento.
A investigação também envolve o advogado Nelson Wilians, fundador de um escritório de advocacia tributária. Em setembro de 2025, a estrutura de Wilians foi alvo de uma operação da Polícia Federal que apurava descontos indevidos em benefícios de aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
De acordo com relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Wilians teria movimentado R$ 4,3 bilhões em operações consideradas suspeitas entre 2019 e 2024. O histórico também aponta transações milionárias entre o advogado e Maurício Camisotti, investigado como possível beneficiário de irregularidades em descontos de aposentadoria.
