Estudantes da UFRJ apresentam versões opostas sobre confusão e agressões no IFCS
Envolvidos em conflito no campus relatam agressões, ofensas racistas e uso de símbolos que geraram inquérito policial.
Por Redação Diário Local
Estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apresentam versões divergentes sobre uma confusão ocorrida na última terça-feira (26) no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS). O caso envolve acusações de apologia ao nazismo, ofensas raciais e agressões físicas entre os graduandos Deivid Lima, de Direito, e Diego Costa Araújo, de História.
De acordo com o estudante de Direito, Deivid Lima, o conflito começou após ele notar que um colega utilizava uma camiseta com a imagem Totenkopf, símbolo de uma tropa de elite nazista. Deivid relatou que tentou conduzir o aluno até uma delegacia para esclarecer o fato, mas foi recebido com uma cotovelada, puxões de cabelo e insultos racistas.
O estudante de História, Diego Costa Araújo, nega o uso de símbolos nazistas com fins de apologia. Ele afirma que a vestimenta faz parte de uma estética punk e que o símbolo tem caráter de sátira ou referência histórica. Diego alegou ainda ter sido vítima de um espancamento coletivo por parte de dezenas de pessoas no pátio do instituto e na saída do prédio.
Deivid Lima registrou boletim de ocorrência por injúria racial e lesão corporal, além de realizar exame de corpo de delito. Ele afirmou que, durante o tumulto, o colega teria proferido ofensas racistas e misóginas contra os presentes, o que teria desencadeado as agressões no pátio da universidade.
Por outro lado, Diego Costa Araújo declarou que seu interesse pelos temas é estritamente acadêmico e que utilizava um broche com uma suástica riscada para reforçar sua posição antinazista. O estudante prestou depoimento na 6ª DP (Cidade Nova), passou por exame no Instituto Médico Legal (IML) e relatou ter buscado atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) devido aos ferimentos.
O que diz a universidade?
A reitoria da UFRJ instalou uma comissão de sindicância para apurar tanto a suposta apologia ao nazismo quanto as agressões físicas relatadas. O caso também é objeto de um inquérito conduzido pela Polícia Civil para investigar os fatos e as possíveis condutas criminosas.
Em declaração, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, afirmou que a instituição não aceita o nazismo, o antissemitismo ou qualquer forma de discriminação, mas que também repudia o uso da violência. Ele ressaltou que, em situações de crimes tipificados, as autoridades policiais devem ser acionadas para intervir.
Medronho informou que os estudantes envolvidos terão direito à ampla defesa no processo administrativo. Caso as irregularidades sejam comprovadas, as sanções podem incluir repreensões, suspensão ou expulsão, conforme o regulamento disciplinar da universidade.
