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Digitalização e redes sociais alteram percepção de ascensão social no Brasil, afirma professora

Digitalização do trabalho e exposição constante em redes mudam o que significa 'melhorar de vida', avalia cientista política.

Por Redação Diário Local

O diploma universitário continua sendo um diferencial importante para a ascensão social no Brasil, embora sua função tenha mudado nas últimas décadas. Segundo a cientista política e professora da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), Tathiana Chicarino, a digitalização do trabalho e do consumo alterou profundamente a percepção sobre o que significa melhorar de vida.

Para a professora, a graduação não assegura necessariamente a saída de um extrato socioeconômico, mas funciona como um ativo de proteção. De acordo com Chicarino, a ausência do diploma aumenta o risco de declínio social, servindo como uma barreira contra o empobrecimento.

A especialista destaca que a ascensão hoje envolve a chamada "plataformização" do trabalho. O cenário atual mostra que muitos profissionais, mesmo com emprego formal, utilizam plataformas digitais para complementar a renda, atuando em atividades como entregas, transporte por aplicativos ou vendas online.

Por que a produção de conteúdo é uma promessa difícil?

A ascensão por meio da produção de conteúdo digital também é um fator de mudança, mas a probabilidade de sucesso é baixa. Chicarino compara o setor ao futebol: embora haja muitos produtores de conteúdo alimentando as plataformas, apenas uma minoria atinge o status de influenciador milionário.

A análise sugere que as plataformas digitais sobrevivem do volume de conteúdo gerado por essa massa de usuários, mas o retorno financeiro é restrito a pouquíssimas pessoas, criando uma percepção distorcida sobre as chances reais de enriquecimento nesse meio.

Como as redes sociais alteram o desejo de consumo?

A exposição contínua à rotina de terceiros nas redes sociais tem o poder de ampliar o desejo por bens de luxo e viagens. A professora explica que o contato permanente com experiências alheias diminui a distância simbólica entre o que o indivíduo possui e o que ele deseja consumir.

Essa dinâmica cria um descompasso, pois, enquanto o desejo por experiências — como viagens internacionais — é potencializado pelo ambiente virtual, o acesso real a esses bens não acompanha a velocidade da mudança de percepção gerada pelas telas.

Por fim, a definição de uma vida melhor também é influenciada pelas políticas públicas, especialmente entre o público feminino. De acordo com a especialista, as mulheres tendem a valorizar e a votar com maior foco em serviços públicos, como postos de saúde, para garantir a estabilidade familiar.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.