Bicheiro foragido liderava esquema de fraude imobiliária de luxo em Santa Catarina, aponta Gaeco
Investigação do Gaeco revela que esquema de pirâmide imobiliária em São Bento do Sul era comandado pelo bicheiro foragido Bernardo Bello
Por Redação Diário Local
Uma investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) aponta que o bicheiro foragido Bernardo Bello liderava um esquema de fraude na venda de apartamentos de luxo em São Bento do Sul (SC).
O grupo atuava por trás de uma pirâmide imobiliária no empreendimento Neo Garden, vendendo unidades sem o devido registro de incorporação. Segundo as investigações, o capital de novos investidores era utilizado para sustentar o fluxo de caixa do grupo, enquanto imóveis eram revendidos em duplicidade para diferentes compradores.
As obras do condomínio chegaram a ser interrompidas. Os investigadores constataram que, para conferir aparência de solidez ao negócio, os envolvidos chegaram a manter uma loja em um shopping da cidade.
Como funcionava o esquema
O Gaeco identificou que o grupo praticava manobras de "carrossel", que incluíam a comercialização de unidades inexistentes e a venda de pavimentos que nem sequer constavam no projeto original. Com as obras paralisadas, novos projetos eram lançados apenas para atrair novas vítimas e cobrir déficits de operações anteriores.
Uma análise inicial do Ministério Público indica que um grupo de 11 vítimas já acumula um prejuízo de R$ 4 milhões. No entanto, os promotores acreditam que o montante seja significativamente maior, já que existem dezenas de outros compradores que ainda não foram contabilizados.
Conexão com o crime organizado
A ligação com o crime organizado do Rio de Janeiro foi descoberta por meio da análise de celulares apreendidos com os empresários Angelo Luiz Duvoisin e Felipe Facco Seroque, que estão presos preventivamente. As mensagens interceptadas demonstram que os investigados recebiam ordens de um interlocutor identificado como Daniel Adler, que atuava em nome de Bernardo Bello.
Os diálogos revelam ordens para a transferência de R$ 10 milhões, com instruções para que parte do dinheiro fosse levada em espécie para evitar o monitoramento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). As mensagens também indicavam que os empresários deveriam viajar ao Rio de Janeiro para conhecer as operações de Bello e replicar o método no Sul do país.
Outro sócio, Geison Eduardo Tureck, também foi alvo de operação do Gaeco no fim de junho. De acordo com informações da Polícia Federal (PF) citadas na investigação, Bernardo Bello pode estar fora do território brasileiro.
