Diário Local
Concurso

Gêmeas idênticas recebem resultados opostos em avaliação de cotas da Polícia Civil do ES

Uma das irmãs foi considerada inapta na etapa de heteroidentificação, enquanto a outra foi aprovada no concurso para Oficial Investigador.

Por Redação Diário Local

Gêmeas idênticas tiveram resultados diferentes na etapa de heteroidentificação do concurso para o cargo de Oficial Investigador da Polícia Civil do Espírito Santo. Segundo o resultado preliminar divulgado na segunda-feira (27), Natália Mendes Ferreira foi considerada inapta na avaliação de cotas raciais, enquanto sua irmã, Naiara Mendes Ferreira, foi aprovada.

As candidatas, que nasceram em Vitória e moram em Vila Velha, na Grande Vitória, afirmam que já haviam passado por procedimentos semelhantes em outras seleções, como o concurso da Polícia Penal em 2025. Natália relatou que o resultado foi inesperado e que pretende entrar com um recurso para reverter a decisão.

De acordo com o relato da candidata, as irmãs compareceram para a avaliação no mesmo dia e horário, mas foram encaminhadas para bancas distintas. Ambas estavam com roupas de mesma tonalidade e sem maquiagem. O procedimento consistiu em posicionar-se diante de uma câmera para informar dados de identificação e realizar a autodeclaração, sem que houvesse perguntas ou comentários da banca sobre as características físicas.

O que dizem os números da etapa

A lista preliminar do concurso registrou um total de 201 candidatos considerados inaptos na fase de heteroidentificação. Desse grupo, 200 eram inscritos que se declararam negros ou pardos e um era candidato indígena.

Em contrapartida, outros 377 candidatos foram considerados aptos, enquanto 51 constaram como ausentes. Os dados foram extraídos de uma relação que reúne 629 registros do edital.

Outros candidatos buscam revisão

Além das gêmeas, Gilson de Oliveira Faria, de 27 anos, também pretende recorrer do resultado. O candidato, que é do Rio de Janeiro, foi considerado inapto na mesma etapa e afirmou que já tinha planos de mudança para o Espírito Santo devido à expectativa de aprovação no certame.

Gilson declarou que já atuou na Guarda Municipal de São Paulo em um concurso organizado pelo mesmo instituto responsável pela seleção da Polícia Civil capixaba. Ele afirmou que, em processos anteriores, sua identificação como negro ocorreu apenas por meio de foto, sem necessidade de convocação para etapa presencial.

O que é a heteroidentificação

A heteroidentificação é o procedimento utilizado para verificar se a pessoa apresenta características fenotípicas compatíveis com a autodeclaração racial feita para concorrer às vagas reservadas por cotas. A avaliação foca em características físicas perceptíveis, como cor da pele, textura do cabelo e traços faciais.

Especialistas apontam que a subjetividade é um dos principais desafios das bancas de heteroidentificação. O processo busca garantir que as vagas destinadas à redução de desigualdades sejam ocupadas por pessoas que enfrentam discriminação física na sociedade.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.