Pesquisa mostra que parte da Geração Z culpa pais por fracassos e problemas de saúde
Levantamento da Edubirdie aponta que jovens responsabilizam adultos por dificuldades em relacionamentos e falta de motivação.
Por Redação Diário Local
Uma pesquisa realizada pela Edubirdie revelou que uma parcela significativa de jovens da Geração Z responsabiliza os pais por diversos problemas pessoais. O levantamento aponta que integrantes dessa faixa etária, nascidos entre 1997 e 2010, atribuem a adultos dificuldades que variam de questões de saúde a entraves nos relacionamentos.
De acordo com os dados, 25% dos jovens entrevistados afirmam que os adultos são responsáveis por problemas de saúde física ou mental. Outros 17% dos participantes do estudo declaram que os pais são a causa de dificuldades enfrentadas em seus relacionamentos interpessoais.
O estudo também identificou que 15% dos respondentes atribuem aos pais a falta de motivação pessoal. Em um grupo mais específico, 5% dos integrantes da Geração Z afirmam culpar os pais por todos os problemas que ocorrem em suas vidas.
Como forma de lidar com esse cenário, muitos jovens têm optado pelo corte de relações com os familiares. A prática é descrita no levantamento como uma estratégia utilizada para a sobrevivência emocional diante desses conflitos.
O tema também gera debate em redes sociais como o TikTok, onde usuários compartilham relatos sobre o impacto da relação familiar. Em diversos depoimentos, jovens expressam decepção com os próprios pais ou atribuem a responsabilidade por instabilidades emocionais aos genitores.
O que dizem os especialistas?
Para a psicoterapeuta e assistente social clínica Jessica Anne Pressler, o ato de atribuir a culpa a terceiros pode ser um estágio inicial no processo de tratamento, mas não deve ser o objetivo final. A profissional explica que o sentimento de culpa serve para identificar onde reside uma ferida emocional.
Segundo a especialista, esse movimento permite que o indivíduo nomeie problemas que, muitas vezes, foram silenciados desde a infância. A identificação do conflito é vista como uma quebra de silêncios impostos durante o crescimento.
A psicoterapeuta ressalta, contudo, que a solução para o enfrentamento dessas questões é encarar os problemas diretamente. Para ela, é necessário revisitar a infância e analisar o relacionamento com os pais para obter conhecimento e não para permanecer estagnado no passado.
