Identificar sinais de sofrimento emocional pode evitar tragédias e ajudar quem precisa de apoio
Especialistas alertam que mudanças no sono, no apetite e no comportamento podem indicar que uma pessoa precisa de ajuda profissional.
Por Redação Diário Local
Identificar sinais de sofrimento emocional é fundamental para oferecer ajuda e prevenir situações graves, como o suicídio. Nem sempre o mal-estar psicológico é demonstrado por meio de tristeza ou relatos explícitos; muitas vezes, ele se manifesta por alterações na rotina, no comportamento e na forma como a pessoa se relaciona com familiares, amigos e colegas.
Os números reforçam a necessidade de atenção. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio causa mais de 720 mil mortes todos os anos no mundo. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que a prevalência de depressão ao longo da vida atinja cerca de 15,5% da população.
No Espírito Santo, o cenário também exige vigilância. O Anuário Estadual da Segurança Pública registrou 786 ocorrências de suicídio em 2024. Especialistas alertam que observar mudanças persistentes no temperamento e nos hábitos pode ajudar a identificar quem precisa de suporte profissional.
Quais são os principais sinais de alerta?
O isolamento repentino é um dos indícios que pode ser subestimado. A pessoa que costuma ser sociável pode passar a recusar convites, evitar contatos e preferir o isolamento. Para o psiquiatra Marcello Pirama Baptista, cooperador da Unimed Sul Capixaba, esse comportamento deve ser observado quando é persistente e diferente do padrão habitual do indivíduo.
Outro sinal relevante é a perda de interesse por atividades que antes traziam satisfação, como hobbies ou esportes. A psicóloga Marília Zanette, da Bluzz Saúde, explica que o ponto crucial é perceber se houve uma mudança significativa e duradoura, e não apenas um desinteresse momentâneo.
A queda de rendimento profissional ou nos estudos também funciona como um alerta. Dificuldades de concentração, faltas frequentes e o abandono de compromissos podem indicar sofrimento emocional, especialmente quando o quadro interfere na rotina e no autocuidado.
Como o comportamento e o corpo reagem?
O sofrimento nem sempre se apresenta como tristeza. Algumas pessoas manifestam o mal-estar por meio de irritabilidade, impaciência, agitação ou até agressividade. Outras podem utilizar a ocupação excessiva como forma de evitar o contato com os próprios sentimentos ou apresentar apatia.
Alterações físicas e de autocuidado também são indicadores. Mudanças bruscas no apetite, como comer muito mais ou muito menos, além do abandono de hábitos de higiene e cuidados com a aparência, devem ser monitoradas.
O sono também sofre impactos. Tanto a insônia quanto o sono excessivo podem ser sinais de que algo não vai bem, principalmente quando ocorrem sem uma explicação clara e acompanham a perda de disposição para atividades cotidianas.
O uso de substâncias também entra na lista de atenção. O aumento no consumo de álcool ou de outras drogas, além do surgimento de comportamentos compulsivos, pode ser uma tentativa de lidar com a dor emocional, exigindo observação imediata.
O que as falas podem revelar?
Palavras podem ser alertas diretos. Expressões de desesperança, de inutilidade ou de que a vida perdeu o sentido devem ser levadas a sério. Frases como "queria desaparecer", "não aguento mais" ou "seria melhor não estar aqui" demandam acolhimento e atenção especializada.
Mudanças súbitas na forma de agir e comportamentos impulsivos, como assumir riscos desnecessários, também são sinais de alerta. O psiquiatra Marcello Baptista ressalta que uma pessoa pode passar por um período de sofrimento intenso e, de repente, apresentar um estado de aparente tranquilidade, o que também exige cautela.
Os sinais confirmam um diagnóstico?
É importante destacar que esses comportamentos, isoladamente, não permitem diagnosticar depressão ou ansiedade. Mudanças de sono, apetite ou isolamento podem ter diversas causas e não significam, por si só, um transtorno mental.
A análise técnica deve considerar a intensidade, a duração e o prejuízo que essas mudanças causam na vida da pessoa. Em casos de sofrimento persistente ou que interfira na funcionalidade do indivíduo, a recomendação é buscar avaliação de profissionais de saúde mental.
