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História

Justiça do DF decide herança de ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner

Processo judicial envolve o espólio do ex-ditador paraguaio, que viveu em Brasília após ser deposto em 1989.

Por Redação Diário Local

Uma disputa judicial envolvendo a herança do ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner tramita na Justiça do Distrito Federal. O espólio é pleiteado por Enrique Alfredo Fleitas, filho de Michele Fleitas, que manteve um relacionamento com o militar na década de 1970.

Para fundamentar o processo, o corpo de Stroessner foi exumado por determinação judicial para a realização de um teste de DNA. O exame confirmou o vínculo sanguíneo entre o ex-ditador e o filho gerado fora do casamento.

O processo tramita em sigilo. Embora a dimensão exata do patrimônio seja desconhecida, estimativas indicam que o valor pode ultrapassar os bilhões de reais. O espólio foi dissipado ao redor do mundo, o que exige esforços para localizar e acionar a justiça em diferentes países.

Há expectativa de que parte dos bens esteja situada no Brasil, no Paraguai, nos Estados Unidos e na Suíça. A localização e a checagem da disponibilidade dos ativos dependem de ações judiciais em cada jurisdição onde as posses possam estar localizadas.

O governo de Alfredo Stroessner no Paraguai

Alfredo Stroessner comandou o Paraguai por quase 35 anos, entre 1954 e 1989, período que ficou conhecido como “El Stronato”. Sua ascensão ao poder ocorreu após um golpe militar e seu governo foi marcado pela repressão política.

Durante sua gestão, milhares de pessoas foram mortas, perseguidas ou desapareceram. Em 1992, documentos que detalhavam crimes cometidos no período foram localizados por um ativista de direitos humanos e ficaram conhecidos como “Arquivo do Terror”.

Os registros indicaram que as ações seguiam a Operação Condor, uma cooperação secreta entre ditaduras da América Latina para combater opositores políticos. No campo diplomático, o governo paraguaio manteve relações firmes com o Brasil, resultando na construção da usina binacional de Itaipu.

Vida e morte em Brasília

Stroessner foi deposto em fevereiro de 1989 por um golpe liderado por Andrés Rodríguez. Após ser expulso do Paraguai, ele recebeu asilo político no Brasil e passou a residir em Brasília, onde viveu por 17 anos no Lago Sul.

O ex-ditador faleceu em 16 de agosto de 2006, aos 93 anos, em um hospital particular da capital federal. A morte ocorreu após complicações decorrentes de uma cirurgia, após o militar passar quase um mês internado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Stroessner foi enterrado no cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. Ele era frequentemente visto em igrejas da região e em sua mansão na capital federal antes de falecer.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.