Inteligência artificial recria hotel de Oscar Niemeyer que nunca foi concluído na Pampulha
Imagens geradas por inteligência artificial mostram como ficaria o Grande Hotel da Pampulha, projeto de Niemeyer interrompido há mais de 80 anos.
Por Redação Diário Local
Imagens produzidas com inteligência artificial recriaram o Grande Hotel da Pampulha, em Belo Horizonte, projeto de Oscar Niemeyer que jamais foi concluído. O edifício, que contaria com 100 quartos, restaurante, cinema e apartamentos de luxo, faz parte de um conjunto arquitetônico que teve sua execução interrompida há mais de oito décadas.
A reconstrução virtual foi realizada pelo arquiteto Marcelo Palhares Santiago, do escritório ARQBH Arquitetura. Para chegar ao resultado, foram utilizados desenhos originais de Niemeyer, textos do próprio arquiteto e pesquisas em revistas e livros da época, cruzando informações sobre os acabamentos usados pelo autor em outras obras do período.
Segundo o arquiteto, a tecnologia permite que os moradores conheçam essa parte da história da cidade de forma visual, sem a necessidade de interpretar plantas ou desenhos técnicos complexos. A ideia surgiu ao identificar projetos que desapareceram da paisagem urbana de Belo Horizonte.
Por que o hotel não foi construído?
O Grande Hotel da Pampulha integrava o plano de Juscelino Kubitschek para transformar a região em um polo de lazer e turismo. O projeto previa seis elementos centrais ao redor da lagoa: o cassino, a Casa do Baile, o Iate Clube, a igreja, o hotel e um clube de golfe.
A intenção era que o hotel oferecesse suporte ao balneário da região, que na época era de difícil acesso e distante do Centro de Belo Horizonte. O edifício teria um formato curvo para acompanhar a Avenida Otacílio Negrão de Lima, com jardins projetados por Roberto Burle Marx.
A construção estava iniciada desde 1942, com a execução de fundações e alguns pilares do térreo. No entanto, a obra foi interrompida e não há um registro oficial que confirme o motivo exato da paralisação. A hipótese trabalhada é de que dificuldades financeiras da prefeitura, responsável pelo custeio, tenham impedido a continuidade.
O impacto da ausência na Pampulha
Para Marcelo Santiago, a falta do hotel comprometeu o funcionamento do conjunto arquitetônico. O hotel teria a função de fixar o turista na região, criando uma parceria com o cassino, que atraía a alta sociedade, mas não oferecia hospedagem próxima.
O arquiteto aponta que os prédios da orla foram posicionados estrategicamente para que pudessem se enxergar através da lagoa. Sem o hotel, esse "jogo de olhares" e a integração visual planejada por Niemeyer ficaram incompletos.
O projeto do hotel também representava um momento de transição para Niemeyer, marca pela exploração das linhas curvas. O edifício teria uma estrutura híbrida: um bloco superior de linhas retas para os quartos, sustentado por colunas, e um pavimento térreo com curvas predominantes para os salões e recepção.
