Ministério Público investiga uso de dinheiro do jogo do bicho para credenciar empresa de apostas no Rio
Ministério Público do Rio de Janeiro apura se R$ 5 milhões usados para registrar a Rio Jogos na Loterj vieram da contravenção
Por Redação Diário Local
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) investiga o uso de dinheiro proveniente do jogo do bicho para o pagamento de uma outorga de R$ 5 milhões à Loterj. O valor foi utilizado para o credenciamento da Rio Jogos, empresa de apostas esportivas on-line no estado.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos (CyberGaeco), a empresa teria sido criada por Vinicius Pereira Drumond e Flávio da Silva Santos. A investigação sustenta que a dupla utilizou recursos de origem ilícita para realizar o pagamento à autarquia estadual em 6 de maio de 2024.
Nesta quarta-feira (02), agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPRJ cumpriram sete mandados de busca e apreensão em endereços vinculados aos denunciados. Durante a ação, foram apreendidos documentos, computadores, celulares e dinheiro.
Como funcionava a lavagem de dinheiro
Segundo a denúncia, o grupo teria criado empresas de fachada para ocultar e dissimular a origem de R$ 5,196 milhões. O Ministério Público identificou que a Rio Jogos é operada pela Lema Administração e Participações, empresa que realizou o pagamento da outorga à Loterj.
Os promotores rastrearam o caminho do dinheiro e chegaram à empresa Invectry Participações, que transferiu R$ 500 mil para João Eric Lourenço da Silva. A investigação aponta que metade do valor do credenciamento foi paga por João Eric, enquanto a outra metade foi quitada pela Apoio Consultoria Financeira Ltda, de Ana Paula Batista Vitorino e João Victor de Araújo Souza.
A investigação também revelou conexões com a contravenção em outros estados, como Paraná e Goiás. De acordo com o MPRJ, os envolvidos possuem laços familiares com pessoas acusadas de atuação no jogo do bicho nessas regiões.
O posicionamento das autoridades
A Loterj, órgão responsável pelo credenciamento, afirmou em nota que não possuía informações sobre o uso de recursos ilícitos para o pagamento da outorga. A autarquia ressaltou que a apuração sobre a origem do dinheiro cabe a órgãos federais, como o Coaf e a Receita Federal.
A defesa de Flávio Santos afirmou que aguarda o acesso à denúncia para se manifestar. Os demais citados na investigação não foram localizados para comentar o caso.
