Laudo revela que jovem morto pela PM em Moema foi atingido por 12 disparos
Laudo do Instituto de Criminalística aponta que Gustavo Muniz de Santana foi atingido por 12 disparos durante abordagem na zona sul de São Paulo.
Por Redação Diário Local
Um laudo necroscópico do Instituto de Criminalística (IC) confirmou que Gustavo Muniz de Santana, de 20 anos, foi atingido por 12 disparos de arma de fogo. O jovem morreu após uma abordagem policial realizada no dia 10 de outubro, na região de Moema, zona sul de São Paulo.
De acordo com o documento pericial, das 12 perfurações confirmadas no corpo da vítima, três atingiram o tórax e uma o abdômen. Outros oito disparos atingiram o jovem de raspão. O laudo também aponta que a contagem aproximada de tiros efetuados no local foi de 20 disparos.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) determinou o afastamento dos quatro policiais militares que participaram da ocorrência no domingo (11), dia seguinte ao episódio. A decisão ocorreu após a análise de imagens da intervenção, que aconteceu na Alameda dos Guaramomis, no bairro Planalto Paulista.
A Polícia Civil conduz as investigações, mas ainda não recebeu a íntegra das gravações das câmeras corporais dos agentes. Os arquivos estão sob posse da Corregedoria da Polícia Militar e são considerados fundamentais para o esclarecimento dos fatos.
O registro policial inicial indicava que a equipe havia sido acionada pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) para conter uma suposta tentativa de suicídio. Na ocasião, os policiais relataram que o jovem teria corrido em direção à equipe apontando um celular, o que teria sido confundido com uma arma de fogo.
Contudo, a perícia técnica confirmou que o rapaz segurava apenas o próprio aparelho celular. No boletim de ocorrência, constava ainda que, de um total de ao menos 45 tiros efetuados pelos policiais durante a ação, o jovem teria sido atingido por 27, dado que diverge do laudo necroscópico atual.
A advogada Ana Facíllia Meira, que representa a família, contestou a narrativa oficial e afirmou que Gustavo já era alvo frequente de abordagens agressivas da Polícia Militar. Segundo a defesa, os parentes do jovem acreditam que ele era constantemente visto como suspeito devido à sua cor.
A defesa também negou que o histórico médico de Gustavo estivesse relacionado a tentativas de suicídio ou automutilação. Segundo a advogada, o jovem realizava tratamento para depressão, mas os familiares afirmam que ele não apresentava episódios de surto ou comportamento de tirar a própria vida em ocasiões anteriores.
