Loja de grife de Brasília se posiciona após falas de sócia contra beneficiários do Bolsa Família
Marca de vestuário do Lago Sul repudiou declarações de Fabiana Guimarães, que também ocupa cargo de direção no SLU.
Por Redação Diário Local
A marca de vestuário LAGO, localizada no Lago Sul, em Brasília, divulgou uma nota oficial para repudiar ataques feitos por Fabiana Ribeiro Guimarães, que é sócia minoritária da empresa. Fabiana, que também ocupa cargo de direção no Serviço de Limpeza Urbana (SLU), utilizou redes sociais para proferir ofensas contra beneficiários do Bolsa Família e declarações de cunho xenofóbico contra pessoas nascidas na Bahia.
Em comunicado, a empresa esclareceu que a empresária não atua na gestão da marca e que suas declarações possuem caráter estritamente pessoal. A loja afirmou que as falas não refletem o posicionamento da marca nem de seus fundadores, reafirmando o repúdio institucional a qualquer forma de preconceito ou discriminação.
As manifestações de Fabiana ocorreram em seus stories, onde ela utilizou um tom provocativo contra apoiadores de partidos políticos e fez comentários desdenhando de cidadãos dependentes de auxílios governamentais. Na publicação, a servidora afirmou que estava pronta para perder seguidores e direcionou mensagens aos beneficiários de programas sociais.
A situação levanta questionamentos sobre um possível conflito de interesses, uma vez que Fabiana é servidora comissionada na Diretoria de Tecnologia e Inovação do SLU, com vencimentos na ordem de R$ 15 mil. Especialistas apontam que a participação societária em empresa privada, somada ao cargo público de direção, pode afrontar princípios constitucionais como a moralidade e a impessoalidade.
Há também indícios de incompatibilidade de carga horária, visto que o cargo em comissão exige dedicação integral. A conduta pode violar o Código de Ética do Servidor Público do DF e a Lei Federal de Conflito de Interesses, que vedam atos que comprometam a imparcialidade e a ética no serviço público.
O SLU informou que as declarações foram feitas no perfil particular da servidora e não representam o posicionamento da autarquia nem do Governo do Distrito Federal (GDF). O órgão destacou seu compromisso com o respeito e a convivência harmoniosa entre as pessoas.
Após a repercussão, Fabiana utilizou um perfil fechado em suas redes sociais para pedir desculpas aos seus seguidores. Em publicação restrita, ela afirmou que agiu de maneira impulsiva e que suas palavras foram fruto de julgamentos precipitados e injustos que não refletem seus valores.
Pedidos de providências e investigação
O caso motivou o deputado distrital Gabriel Magno (PT) a encaminhar ofícios à Polícia Civil (PCDF) e ao Ministério Público (MPDFT). O parlamentar pediu a apuração de possíveis crimes de racismo e xenofobia, além de solicitar o imediato afastamento da servidora de suas funções no SLU.
Diante dos desdobramentos, o SLU comunicou que encaminhou o caso para a sua Unidade de Auditoria Interna. O órgão realizará uma avaliação preliminar para verificar a existência de elementos que justifiquem providências administrativas, visando resguardar a imagem da Administração Pública e os deveres éticos da instituição.
