Mendonça nega pedido da PF para usar mansão de banqueiro como base de investigação em Minas
Ministro André Mendonça indeferiu solicitação da Polícia Federal para transformar residência de luxo em sede de grupo de repressão à corrupção.
Por Redação Diário Local
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, negou o pedido da Polícia Federal para utilizar uma mansão em Belo Horizonte como base de operações de um grupo especializado. O imóvel, localizado no bairro Belvedere, pertence ao banqueiro Daniel Vorcaro e seria destinado ao Grupo de Investigação para Repressão à Corrupção e Lavagem de Dinheiro em Minas Gerais.
A Polícia Federal solicitou a ocupação do espaço alegando que a corporação não possui sede própria adequada no momento. As unidades da Superintendência Regional da PF em Minas Gerais funcionam provisoriamente em dois prédios locados, enquanto a nova sede, com entrega prevista para 2028, é construída no lugar da antiga edificação.
A corporação argumentou que o trabalho de inteligência policial exige um local discreto e reservado, longe da movimentação de atendimento ao público. Segundo o pedido enviado ao ministro, a mansão de 2.697 metros quadrados oferece estrutura com áreas de lazer, espaço gourmet, academia, spa e quadras esportivas.
Por que o pedido foi negado?
O ministro André Mendonça justificou a decisão apontando que o uso de bens deve observar a adequação do imóvel à finalidade pretendida. Em sua análise, o magistrado destacou que a natureza da propriedade é eminentemente residencial e recreativa, voltada ao lazer e ao descanso, o que não condiz com o funcionamento de uma unidade policial.
O ministro também alertou para os altos custos de adaptação necessários para transformar a residência em sede administrativa. Seria preciso instalar estações de trabalho, infraestrutura de rede, segurança de dados, controle de acessos, áreas de arquivo e salas de reunião.
Para Mendonça, tais intervenções poderiam gerar despesas elevadas e até descaracterizar ou depreciar o valor do patrimônio acautelado. Ele afirmou que as modificações seriam incompatíveis com a preservação do valor patrimonial da constrição.
Detalhes da investigação
A solicitação ocorre no âmbito da Operação Compliance Zero. Durante as diligências para identificar imóveis utilizados por Vorcaro, os investigadores localizaram a mansão e uma residência vizinha em reforma, ambas apontadas por funcionários como pertencentes ao banqueiro.
A mansão principal, avaliada pela Prefeitura de Belo Horizonte em R$ 12,48 milhões, consta como registrada em nome de um empresário que faleceu em 2018. Contudo, o inventariante do espólio informou que o imóvel foi vendido em 2022 por R$ 30 milhões para uma empresa representada pelo cunhado de Vorcaro.
A Polícia Federal ressaltou que essa transação foi realizada por meio de um contrato particular, sem escritura pública ou registro em cartório. Por essas características, os investigadores classificaram a operação como um "contrato de gaveta".
O imóvel vizinho também é alvo de atenção dos investigadores. A propriedade está registrada em nome de uma empresa de administração de bens, mas outra companhia, administrada pelo banqueiro, teria adquirido o local em abril de 2025 por R$ 20 milhões.
A investigação busca apurar a origem e o uso de bens vinculados ao banqueiro. Durante as buscas na mansão, a Polícia Federal informou que, apesar do alto padrão do mobiliário, não foram localizados cofres, joias, veículos ou dinheiro em espécie.
O caso ganha relevância diante de outras movimentações jurídicas. Ministros do STF devem se reunir nesta terça-feira (15) para decidir sobre investigações relacionadas à ligação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
A empresa administrada por Vorcaro é a mesma que firmou contrato de R$ 50 milhões para que a família do ministro Alexandre de Moraes assumisse cotas de duas aeronaves do banqueiro.
