Estudante de Direito relatou comportamento controlador de namorado antes de morrer em Fortaleza
Estudante de Direito enviou áudios a familiares relatando ameaças e comportamento controlador de João Munhoz Neto antes de morrer.
Por Redação Diário Local
A estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, relatou a familiares e amigos comportamentos controladores e ameaças de seu namorado, João Munhoz Neto, na noite em que morreu em Fortaleza. Mensagens e áudios enviados pela jovem antes da queda do terraço do edifício onde residia detalham o desgaste no relacionamento.
Em áudio enviado ao primo minutos antes do ocorrido, Isabelle afirmou que vinha guardando "coisas graves" e que recebia ameaças diretas de João. "Eu simplesmente não estou suportando mais", relatou a estudante em um dos registros.
Relatos de amigos e familiares indicam que o controle se estendia ao cotidiano. Segundo informações colhidas pela investigação, Isabelle era impedida de sair sozinha do condomínio e o namorado monitorava suas redes sociais, desaprovando a postagem de fotos.
Cobranças financeiras e controle profissional
Mensagens trocadas entre o casal no dia da morte também revelam cobranças financeiras. João Munhoz Neto solicitou o pagamento de R$ 13,5 mil, alegando a necessidade de valores que haviam sido emprestados. A defesa da família de Isabelle afirmou que a postura de controle do investigado intensificou-se após movimentações de dinheiro entre eles.
O controle também atingia a vida profissional da estudante. O proprietário de um escritório de advocacia onde Isabelle realizava estágio relatou que a jovem chegou a queixar-se de sentir-se "sufocada" pelo namorado, que impedia sua atuação de forma independente em atividades do trabalho.
Investigação e perícia técnica
A Polícia Civil investiga a morte e analisa cerca de 700 vídeos de câmeras de segurança do condomínio. O delegado Márcio Gutierrez informou que os investigadores trabalham com a análise de mensagens e dados de localização do celular de João para entender a dinâmica dos fatos.
A perícia técnica concluiu que a queda da jovem foi uma precipitação voluntária. O coordenador da perícia, Wellison da Silva Tavares, afirmou que não foram encontrados indícios de luta corporal ou de que a vítima tenha sido empurrada, destacando a ausência de vetores de força horizontal que indicassem um confronto.
João Munhoz Neto está preso e nega as acusações de violência psicológica e controle. A defesa do investigado argumenta que o relacionamento era recente e que a estudante possuía liberdade de locomoção.
