Ministério Público pede investigação sobre suspeita de apologia ao nazismo em colégio de Juiz de Fora
Ministério Público de Minas Gerais requisitou inquérito para apurar exibição de bandeira com símbolos sugestivos em evento esportivo.
Por Redação Diário Local
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) requisitou à Polícia Civil a abertura de um inquérito para investigar uma suspeita de apologia ao nazismo em um colégio de Juiz de Fora. A apuração busca esclarecer a exibição de uma bandeira com inscrições em alemão e elementos gráficos sugestivos de referência ao regime nazista durante um campeonato esportivo da instituição particular.
O incidente ocorreu na semana passada (16), durante um evento interclasse no Colégio Sesi/Granbery. A decisão para a investigação foi assinada pelo promotor de Justiça Hélvio Simões Vidal na quarta-feira (22).
A Polícia Civil informou que o procedimento foi recebido e distribuído à 7ª Delegacia, que ficará responsável pelas investigações. Segundo a corporação, o material enviado pelo Ministério Público está em fase de análise preliminar para a adoção das medidas necessárias.
O Ministério Público também solicitou a apreensão da bandeira para que o objeto seja submetido a perícia técnico-científica. Caso o material não seja localizado, o órgão determinou a realização de perícia indireta, baseada em fotografias e imagens divulgadas em redes sociais.
A investigação tem como foco verificar a possível prática de crime previsto na Lei nº 7.716/1989, conhecida como Lei do Crime Racial. De acordo com entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a apologia ao nazismo configura crime de racismo, sendo considerada inafiançável e imprescritível.
O posicionamento da escola
Em nota, o Colégio Sesi/Granbery afirmou que a bandeira foi produzida por estudantes sem o conhecimento, a aprovação ou a anuência da instituição. A escola declarou que, ao tomar ciência das referências no material, determinou a retirada imediata do objeto e orientou os alunos envolvidos.
A unidade escolar informou que repudia qualquer manifestação de apologia a ideologias autoritárias, discriminatórias ou que atentem contra a dignidade humana. A direção ressaltou que os responsáveis legais pelos estudantes também foram chamados para esclarecimentos.
Como medida de prevenção, a instituição comunicou que desenvolverá um trabalho educativo com todos os alunos sobre o contexto histórico e os riscos de símbolos associados ao ódio e à intolerância. O colégio afirmou que está à disposição das autoridades para colaborar com a apuração dos fatos.
