Diário Local
São Paulo

Empresa cobra R$ 4,5 milhões de ONG que gerencia wi-fi da Prefeitura de São Paulo

Terceirizada acusa Instituto Conhecer Brasil de irregularidades em contrato da Prefeitura; ONG alega tentativa de extorsão

Por Davy Albuquerque

A empresa Ultra IP Tecnologia e Serviços Ltda. e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama, travam uma disputa na Justiça marcada por acusações mútuas. A terceirizada cobra R$ 4,5 milhões e sustenta que houve irregularidades na execução do contrato de R$ 108 milhões firmado entre o município e o ICB.

A Ultra IP afirma que foi a responsável pela instalação de 3.200 pontos de wi-fi do programa municipal, embora parte desses serviços tenha sido atribuída, em prestações de contas da ONG, à empresa Favela Conectada Serviços e Tecnologia Ltda. Em sua ação, a terceirizada sustenta que a Favela Conectada teria sido utilizada para justificar despesas do convênio com a gestão municipal e que a empresa teria recebido R$ 12 milhões para instalar pontos de acesso sem executar o serviço.

A ONG, por sua vez, acusa a Ultra IP de interromper aproximadamente 800 links de internet instalados em comunidades da periferia de São Paulo. Karina Gama também alega, em inquérito na Polícia Civil de São Paulo aberto em 5 de maio deste ano (05), que o proprietário da empresa, William Silva Ferreira, tentou extorquir R$ 2,5 milhões em troca de silêncio sobre a relação contratual.

O que diz a Prefeitura de São Paulo?

A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) informou, por nota, que a relação jurídica do Município ocorre apenas com o ICB. Segundo a pasta, conforme a Lei nº 13.019/2014, a escolha e a gestão de fornecedores e terceirizados são de responsabilidade única da entidade parceira.

A SMIT reforçou que realiza a fiscalização das prestações de contas de forma semestral e que o rigor do acompanhamento resultou na devolução de cerca de R$ 2 milhões ao projeto em 2025, montante que foi integralmente cumprido pelo ICB. A secretaria afirmou ainda que o Programa Wi-fi Livre funciona normalmente.

A Prefeitura também exige que a ONG apresente documentos e justificativas para R$ 12 milhões em gastos e pede a devolução de R$ 906 mil referentes a notas fiscais canceladas.

Acusações de má-fé e descumprimento

A defesa do Instituto Conhecer Brasil afirma que o proprietário da Ultra IP age de má-fé. Segundo a ONG, o contrato entre as partes foi encerrado em setembro de 2025, após sucessivos descumprimentos contratuais, inconsistências técnicas e administrativas que comprometeram a continuidade do serviço público.

O processo também cita a participação de outras empresas no projeto, como a Complexsys Soluções Integradas Ltda. e a Fastfuture Tecnologias Emergentes Ltda., contratadas para monitoramento e auditoria. De acordo com a petição da Ultra IP, André Feldman, da Complexsys, é apontado como diretor de fato do Instituto Conhecer Brasil.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.