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Investigação

Polícia investiga desvio de R$ 27 milhões em emendas parlamentares em Ipojuca

Operação Alvitre, da Polícia Civil, apura esquema de propinas e uso de entidades sem capacidade técnica para desviar recursos.

Por Redação Diário Local

A Polícia Civil de Pernambuco deflagrou nesta semana a terceira fase da Operação Alvitre para investigar um esquema de desvio de emendas parlamentares na Prefeitura e na Câmara Municipal de Ipojuca. As autoridades estimam que o prejuízo aos cofres públicos chegue a R$ 27 milhões.

A investigação foca no uso de entidades sem capacidade técnica para o recebimento de recursos públicos e na movimentação de dinheiro em espécie. O inquérito também apura a conexão entre o esquema criminoso e o assassinato da professora Simone Marques da Silva, ocorrido em outubro de 2025.

Como funcionava o esquema de desvios?

Segundo investigações baseadas em documentos do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), o esquema utilizava entidades para drenar recursos de emendas parlamentares. A Associação Cultural Social e Recreativa MUDART, gerida por Simone Marques, recebeu R$ 1,2 milhão entre os anos de 2017 e 2024, com um aumento expressivo nos repasses em 2024.

A Polícia Civil realizou checagens no local e constatou que a MUDART e a entidade M. A. DA SILVA FESTAS funcionavam em residências simples. Ambas não possuíam capacidade operacional para gerir os projetos para os quais foram destinadas, como o "Sopro de Esperança" e o "Buscando Talentos", que somaram R$ 680 mil em repasses.

Além disso, o Relatório Técnico de Inteligência apontou que Diego Fernandes de Oliveira Araújo, ex-secretário especial de Juventude, utilizava o cargo para operar desvios no Centro de Promoção à Infância e ao Adolescente (CPIA), que foi beneficiado com R$ 338 mil.

O papel da professora Simone Marques

A morte de Simone Marques tornou-se um ponto central do inquérito. Em outubro de 2025, a professora compareceu à Delegacia de Porto de Galinhas para depor, mas foi assassinada a tiros poucas horas depois, sem conseguir retornar para a oitiva reagendada pelo delegado Ney Luiz Rodrigues.

A Polícia Civil apura que Simone participava do esquema e recebia parte dos recursos, ao lado de advogados, uma contadora e uma funcionária fantasma. A investigação também analisa se o assassinato foi motivado por tentativas de chantagem envolvendo vídeos e áudios que comprovariam a corrupção no município.

Novas etapas da operação

A Operação Alvitre está sendo executada em etapas. A primeira fase, em outubro de 2025, resultou em três prisões. A segunda fase, em novembro de 2025, envolveu a prisão do então presidente e do vice da Câmara Municipal de Ipojuca, Flávio do Cartório e Professor Eduardo, interceptados com quantias em dinheiro.

Nesta terceira fase, realizada em setembro de 2026, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em Ipojuca, Cabo de Santo Agostinho e Paulista. Os alvos incluem os atuais presidente e vice-presidente da Câmara, Irmão Genival e Gilmar Costa. A Polícia Civil e o Ministério Público continuam as perícias nos materiais apreendidos nos gabinetes e residências para rastrear o destino final do dinheiro.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.