Diário Local
Investigação

Empresário suspeito de desviar R$ 60 milhões da Zema Financeira completa dois meses foragido

Douglas Azara, investigado por desvio de R$ 60 milhões, viajou para Dubai e Madri com mandado de prisão preventiva em aberto.

Por Redação Diário Local

O empresário Douglas Silva de Oliveira Azara, de 26 anos, completa dois meses de fuga da Justiça brasileira. Investigado por um desvio de aproximadamente R$ 60 milhões da Zema Financeira, Azara possui um mandado de prisão preventiva expedido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) desde o dia 1º de julho (01).

Apesar do mandado em aberto, o investigado tem utilizado redes sociais para publicar registros de viagens e luxo. Entre os destinos citados estão Madri, na Espanha, e Dubai, nos Emirados Árabes. No dia 15 de julho (15), Azara realizou uma viagem de primeira classe para Dubai, onde compartilha rotinas envolvendo carros de luxo e jet-skis.

Como funcionava o esquema de fraude

A Zema Financeira, que tem sede em Araxá (MG), identificou um ataque cibernético no final de 2025 que resultou no desvio de cerca de R$ 75 milhões. Desse valor, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) aponta que R$ 60 milhões foram subtraídos por um esquema comandado por Azara.

De acordo com a PCMG, o grupo conseguiu burlar o sistema da instituição e acessar diretamente as chaves de pagamento. A partir daí, foram quitados boletos falsos e efetuadas transferências milionárias para contas de laranjas e empresas de fachada. A maior parte do dinheiro teria sido direcionada para a Jabuti Capital, empresa da qual Azara é o único sócio.

As investigações apontam que a organização criminosa contava com a participação de oito pessoas. Até o momento, seis envolvidos foram presos pela polícia. Além de Azara, o investigado Alex Sander Gomes Junior também segue foragido.

Investigação sobre membros da família

O inquérito também apura a situação de Célia Fátima Ferreira, avó materna de Azara, de 77 anos. A idosa teve a empresa Naskar transferida para o seu nome e teria realizado mais de 300 pagamentos em boletos no valor de R$ 2 milhões. No entanto, a Polícia Civil constatou que a mulher possui diagnóstico de Alzheimer e não responde por si, sendo representada legalmente pelo neto.

A PCMG destacou que houve uma exploração da vulnerabilidade da idosa por parte do empresário. Enquanto a avó reside em um apartamento de classe média em Uberlândia (MG), Azara aparecia como a figura central das movimentações financeiras.

Situação dos clientes e ex-sócios

Enquanto o atual comprador da Naskar permanece foragido, ex-sócios da empresa seguem detidos. Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato estão presos desde o dia 22 de julho (22) e são investigados por fraude financeira. Um pedido de habeas corpus feito pelo trio foi negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 20 de agosto (20).

A situação gera incerteza para milhares de investidores. Em maio de 2026, empresas ligadas a Azara anunciaram a compra da Naskar por R$ 1,2 bilhão, mas os clientes agora aguardam decisões judiciais para tentar reaver aportes que chegam a valores milionários por pessoa.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.