Padre excomungado pelo Vaticano afirma que decisão é inválida e mantém atividades em Ceilândia
Sacerdote ligado à Fraternidade São Pio X afirma que a decisão do Vaticano não altera a rotina da comunidade na capital federal.
Por Davy Albuquerque
O padre Françoá Costa, da Capela Santo Atanásio, em Ceilândia (DF), afirmou que continuará exercendo o ministério religioso normalmente, apesar da decisão do Vaticano de declarar sua excomunhão. O sacerdote classificou a medida como inválida e sustentou que nem ele, nem a comunidade religiosa, se encontram em situação de cisma.
A excomunhão foi anunciada após a confirmação do vínculo da capela com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX). Segundo o Vaticano, a fraternidade rejeita partes das reformas aprovadas pelo Concílio Vaticano II e desafia a autoridade da Igreja. A medida é um desdobramento de um decreto do Dicastério para a Doutrina da Fé, publicado em 2 de julho.
De acordo com a autoridade papal, a situação decorre de sagrações episcopais realizadas em 1º de julho sem a devida autorização do papa. A consagração de bispos sem aprovação configura uma violação do Código de Direito Canônico.
Por que a Arquidiocese diz que os sacramentos são inválidos?
A Arquidiocese de Brasília publicou nota informando que tanto o padre Françoá Costa quanto a comunidade ligada à Capela Santo Atanásio estão em situação de cisma. Por esse motivo, a instituição declarou que os sacramentos administrados no local, como confissões e casamentos, não possuem validade.
O sacerdote rebateu a orientação da Arquidiocese ao utilizar o argumento da "jurisdição de suplência". Segundo sua interpretação do Direito Canônico, os sacerdotes da fraternidade atuariam com base em uma jurisdição extraordinária, o que garantiria a licitude dos atos religiosos realizados na unidade de Ceilândia.
O padre afirmou que, embora não possua a jurisdição ordinária concedida pelo bispo diocesano, a prática segue os preceitos da tradição católica que o grupo defende.
O que defende o grupo ligado à capela?
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) é voltada para a preservação das tradições da Igreja Católica, como a celebração da missa em latim. O grupo critica as mudanças promovidas após o Concílio Vaticano II (1962-1965), classificando-as como expressões de "modernismo".
Para o sacerdote, o grupo atua em uma operação de resgate litúrgico. Ele manifestou oposição a práticas como o ecumenismo e a aceitação de novas formas de comunhão para pessoas em segunda união, alegando que tais medidas são incompatíveis com a doutrina tradicional.
Apesar do embate com as autoridades de Brasília e do Vaticano, o padre afirmou que a rotina da comunidade não será alterada. Ele relatou que o público registrado na capela permaneceu estável após a divulgação da nota da Arquidiocese.
