Diário Local
Mineração

Poeira de mineradoras provoca problemas de saúde e aumento de gastos em Congonhas

Emissão de partículas por mineradoras eleva casos de doenças respiratórias e custos domésticos para moradores em Minas Gerais

Por Davy Albuquerque

A poeira gerada por atividades de mineração tem causado problemas de saúde e aumento de despesas para moradores de Congonhas, na região Central de Minas Gerais. No último domingo (12/7), a prefeitura do município determinou a paralisação temporária das operações das mineradoras CSN, Vale, Ferro+, Gerdau e outras após uma grande nuvem de material particulado atingir a cidade.

De acordo com o município, as empresas respondem por mais de 96% das emissões de poeira na região. Durante o episódio de poluição, sensores de monitoramento da qualidade do ar registraram níveis de poeira até quatro vezes superiores ao limite estabelecido pela legislação brasileira.

As atividades foram retomadas no início da noite do domingo, após a redução dos ventos e a implementação de medidas emergenciais pelas empresas, como o molhamento das vias por onde circulam os veículos de transporte de minério.

Impactos na saúde e no bolso

Moradores locais relatam que crises de rinite, sinusite e alergias são recorrentes, especialmente durante os meses de seca, como julho e agosto. Além dos sintomas respiratórios, há um impacto financeiro direto nas famílias, que precisam gastar mais com soro fisiológico, limpeza de residências e manutenção de veículos, como a troca de filtros de ar e de óleo.

A médica pneumologista Michele Andreata explica que a exposição a essas partículas pode causar desde irritações nos olhos e garganta até doenças graves. Segundo a especialista, quanto menores as partículas, maior a capacidade de atingirem os pulmões, podendo causar inflamações persistentes, fibrose e redução da capacidade respiratória.

A médica alerta ainda que a presença de sílica na poeira, comum em processos de mineração, pode levar ao desenvolvimento de silicose, uma doença pulmonar permanente. Grupos como crianças, idosos e gestantes são considerados os mais vulneráveis aos efeitos da exposição.

Arrecadação e controle ambiental

A mineração é a principal fonte de receita de Congonhas. Dados do Tesouro Nacional indicam que, entre 2025 e 2026, os royalties pagos pelas mineradoras somaram R$ 306,4 milhões, valor que supera três vezes o repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que foi de R$ 93 milhões.

Segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), a CSN Mineração é responsável por cerca de 80% dos royalties do município, seguida pela Vale (15%) e pela Ferro+ Mineração (6%). A prefeitura também notificou a Gerdau, afirmando que um empreendimento da empresa nas proximidades contribui para a poluição do ar, embora a companhia negue ter operações de extração no município.

Buscando uma solução conjunta, a prefeitura de Congonhas enviou um ofício nesta segunda-feira (13/7) convidando as administrações de Itabira, Conceição do Mato Dentro, Ouro Preto, Itabirito e Nova Lima para discutir regras de controle ambiental e melhoria da qualidade do ar na região.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.