Nova lista oficial inclui nove espécies de plantas ameaçadas na Zona da Mata mineira
Atualização do Ministério do Meio Ambiente inclui espécies como jequitibá-rosa e palmito-juçara na lista oficial de extinção.
Por Redação Diário Local
Uma atualização na Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção, publicada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima na última quarta-feira (28), inclui pelo menos nove espécies com ocorrência na Zona da Mata mineira. Entre as plantas listadas estão árvores como o jequitibá-rosa, o cedro e a braúna, além do palmito-juçara, espécie fundamental para a alimentação da fauna nativa.
A nova relação foi estabelecida pela Portaria GM/MMA nº 1.783, assinada nesta segunda-feira (26) e publicada no Diário Oficial da União no dia 28. O documento substitui a lista de 2022 e passa a reunir 3.730 espécies avaliadas, o que representa um aumento de 16,2% em relação às 3.209 espécies registradas na versão anterior.
Segundo o biólogo Breno Motta, diretor do Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o aumento no número de registros não significa necessariamente que todas as novas espécies correm maior risco, pois a diferença também pode decorrer de alterações em nomenclaturas e classificações técnicas.
Quais são as espécies ameaçadas na região?
Na Zona da Mata, a lista contempla cinco espécies classificadas como vulneráveis (VU), indicando alto risco de extinção, e três em perigo de extinção (EN), que representa um risco muito alto. O pau-brasil consta como criticamente em perigo (CR).
As nove espécies mencionadas são: o palmito-juçara (vulnerável), a embira-branca (em perigo), o breu (em perigo), a garapa (vulnerável), o jacarandá-da-bahia (vulnerável), a braúna (vulnerável), o jequitibá-rosa (em perigo), o cedro (em perigo) e o pau-brasil (criticamente em perigo).
O biólogo Breno Motta explica que a sobrevivência desses vegetais está diretamente ligada à conservação de ambientes como a Floresta Estacional Semidecidual, formação da Mata Atlântica que ocupa a região. A perda e a degradação desses ambientes são as principais ameaças à flora local.
O que causa o risco de extinção?
A pressão sobre a vegetação ocorre por meio do desmatamento para expansão urbana, abertura de áreas para agropecuária, mineração e implantação de empreendimentos, que fragmentam as florestas. Além disso, a exploração predatória de madeira impacta espécies como o jacarandá-da-bahia, a garapa, a braúna e o cedro.
O palmito-juçara sofre com a extração ilegal, processo que geralmente causa a morte da planta ao cortar o único ponto de crescimento do caule. Incêndios florestais, invasão de espécies exóticas e a falta de fiscalização também pressionam os fragmentos florestais, especialmente em áreas próximas a centros urbanos.
Segundo o especialista, o desaparecimento dessas plantas pode gerar um efeito em cadeia na ecologia. Como o palmito-juçara, por exemplo, oferece frutos para aves e mamíferos, sua redução compromete a dispersão de sementes e a regeneração natural das florestas, além de afetar polinizadores como abelhas e borboletas.
