Projetos no interior de São Paulo transformam óleo usado em biodiesel e criam hortas para famílias
Iniciativas em Tupã e Birigui evitam poluição de rios e garantem segurança alimentar para mais de mil famílias no interior paulista.
Por Davy Albuquerque
Projetos de sustentabilidade no interior de São Paulo estão transformando a realidade de cidades como Tupã e Birigui por meio da reciclagem de resíduos e do cultivo de alimentos orgânicos. As iniciativas buscam reduzir o impacto ambiental e garantir segurança alimentar para a população local.
Em Tupã, o projeto "Óleo do Bem" atua na coleta de óleo de cozinha usado para evitar o entupimento de redes de esgoto e a poluição de mananciais. A ação ocorre em parceria com o programa Recicóleo, da Unesp de Tupã, e utiliza pontos de coleta instalados em escolas para promover a educação ambiental.
Durante uma gincana realizada na Etec de Tupã, estudantes arrecadaram 4.813 litros de óleo usado. No modelo de troca ecológica, cada litro entregue pela comunidade é substituído por uma barra de sabão ecológico, enquanto o resíduo coletado é transformado em matéria-prima para a produção de biodiesel.
O balanço ambiental da mobilização é expressivo. Segundo o professor Paulo Barbosa dos Santos, a ação evitou a contaminação de 120 milhões de litros de água e poupou a emissão de 57 toneladas de CO2 na atmosfera. O projeto completará cinco anos no próximo mês e já conta com 21 pontos de coleta ativos em Tupã.
Como funcionam as hortas comunitárias em Birigui?
Em Birigui, áreas públicas que antes estavam abandonadas foram transformadas em cinturões verdes. A cidade possui atualmente 57 hortas comunitárias e cinco áreas destinadas à agricultura familiar, somando quase 113 mil metros quadrados de cultivo orgânico.
O sistema garante segurança alimentar para cerca de 1.300 famílias por meio de uma divisão colaborativa da colheita. Um terço do que é produzido fica com os moradores responsáveis pelo manejo para consumo próprio; outro terço pode ser vendido na vizinhança para gerar renda complementar.
O terço restante da produção é doado ao Banco de Alimentos municipal, que abastece 14 entidades assistenciais de Birigui. A iniciativa também traz benefícios sociais e de saúde, como o acesso rápido a produtos frescos e o suporte terapêutico para os trabalhadores do campo.
Moradores da região destacam os impactos positivos do manejo de alimentos na rotina local. Para quem vive próximo aos cinturões verdes, a possibilidade de consumir vegetais orgânicos colhidos na hora facilita o acesso a uma alimentação mais saudável e sustentável.
