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Feminismo

Engenheira e urbanista Carmen Portinho foi pioneira na luta pelo voto e habitação no Brasil

Engenheira foi uma das primeiras brasileiras a atuar como urbanista e lutou pelo direito ao voto e à moradia popular

Por Redação Diário Local

Carmen Portinho foi uma das pioneiras da luta feminista no Brasil e a primeira brasileira a obter o título de urbanista. Engenheira de formação, ela atuou na defesa do direito ao voto, na valorização do trabalho feminino e na estruturação de projetos de habitação popular no país.

Nascida em Corumbá (MS), Portinho mudou-se para o Rio de Janeiro em 1911. Ao lado de Bertha Lutz, integrou a geração que buscou a cidadania política das mulheres, culminando na conquista do sufrágio feminino em 1932. Para divulgar a pauta, Portinho chegou a sobrevoar o Rio de Janeiro distribuindo panfletos em defesa do voto.

Sua atuação profissional foi marcada pela quebra de barreiras de gênero. Em 1925, formou-se em engenharia pela antiga Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sendo a terceira mulher brasileira a conquistar o título. No ano seguinte, ingressou na Diretoria de Obras e Viação da prefeitura do Rio.

O legado no urbanismo e na habitação

Além da militância política, Portinho consolidou sua carreira no campo do urbanismo. Em 1936, cursou pós-graduação na então Universidade do Distrito Federal, área pela qual expressou grande orgulho profissional. Ela utilizou o urbanismo como ferramenta de transformação social, focando na infraestrutura urbana sob a ótica das necessidades das mulheres.

Em sua trajetória, desenvolveu um anteprojeto para a construção da futura capital federal, Brasília, baseado em conceitos de urbanismo moderno. Posteriormente, após estagiar na Europa em 1945, acompanhando a reconstrução de cidades após a Segunda Guerra Mundial, aplicou novos conceitos no Brasil.

Portinho foi a primeira diretora do Departamento de Habitação Popular da Prefeitura do Distrito Federal. Entre seus projetos de destaque está a concepção do Conjunto Habitacional Prefeito Mendes de Morais (Pedregulho), realizado em colaboração com o arquiteto Affonso Eduardo Reidy.

Representatividade profissional

A engenheira também atuou na organização de espaços para mulheres no mercado de trabalho. Em 1922, fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e, em 1930, a União Universitária Feminina, com o objetivo de fomentar a inserção feminina em profissões liberais.

Em 1937, criou a Associação Brasileira de Engenheiras e Arquitetas, visando garantir representatividade de gênero no setor. Sua trajetória é lembrada por especialistas como um símbolo de busca por autonomia e reconhecimento de competências técnicas acima de questões de gênero.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.