Super El Niño deve afetar o Espírito Santo com calor e risco de seca até o início de 2027
Fenômeno pode elevar temperaturas, aumentar casos de dengue e encarecer a conta de luz no estado entre agosto e 2027.
Por Davy Albuquerque
O fenômeno Super El Niño deve atingir o Espírito Santo entre agosto (2026) e o início de 2027, provocando impactos como estiagem prolongada, aumento das temperaturas e riscos à saúde. O aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial altera a circulação da atmosfera e influencia o regime de chuvas e o clima no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
A Defesa Civil Estadual alerta que o cenário pode trazer consequências diretas para a agricultura, para o risco de incêndios florestais e até para o valor da conta de energia elétrica. Além disso, a possibilidade de aumento nos casos de dengue é uma preocupação monitorada.
Como as temperaturas devem se comportar?
Os modelos climáticos indicam que os meses de agosto e setembro devem registrar temperaturas cerca de 2°C acima da média histórica para o período. Embora não sejam os meses mais quentes do ano, pode haver registros acima do normal para a estação.
Caso o fenômeno mantenha intensidade durante o verão, os meses de janeiro, fevereiro, março e abril de 2027 poderão registrar temperaturas históricas. Contudo, a Defesa Civil ressalta que ainda é cedo para confirmar se haverá recordes absolutos de calor.
Quais os riscos de seca e incêndios?
A estiagem prolongada é um dos efeitos mais preocupantes e pode atingir todas as regiões do estado. Segundo a Defesa Civil, as regiões Serrana e Sul podem sofrer mais do que o Norte capixaba, uma vez que possuem menor percentual de propriedades rurais com acesso a sistemas de irrigação.
A falta de chuva também prejudica o desenvolvimento de lavouras, afetando a floração e o crescimento de frutos, além de favorecer o aparecimento de pragas. Paralelamente, a combinação de alta temperatura, baixa umidade e vegetação ressecada aumenta o risco de propagação de incêndios florestais.
Impactos na saúde e no bolso
O aumento das temperaturas favorece o ciclo de vida do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, o que pode elevar o número de casos no estado. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES) já havia alertado para essa possibilidade em nota divulgada no dia 8 (julho).
Na economia doméstica, a redução das chuvas pode elevar o custo da energia elétrica. Como a matriz elétrica brasileira depende de hidrelétricas, a baixa nos reservatórios pode exigir o uso de usinas termelétricas, que possuem um custo de geração mais elevado.
