Suspeito de ataque a tenente da Rota participou de fuga de presídio há 19 anos
Márcio dos Santos Ferreira, morto em confronto, estava entre os 30 detentos que fugiram de Osasco em 2007
Por Davy Albuquerque
Márcio dos Santos Ferreira, suspeito de envolvimento no ataque contra o tenente Ronickson Pimentel dos Santos, morreu após confronto com policiais da Rota na última sexta-feira (10/7), em São Paulo. O homem, conhecido como Tetão, estava sendo investigado por suposta ligação com o atentado sofrido pelo oficial da Polícia Militar.
Segundo a Polícia Militar, Ferreira possuía uma extensa ficha criminal e estava entre os cerca de 30 detentos que participaram de uma fuga em massa do Centro de Detenção Provisória (CDP) II de Osasco, há 19 anos. Na ocasião, em setembro de 2007, os presos utilizaram um túnel cavado para acessar o Rodoanel.
O confronto que resultou na morte de Ferreira ocorreu em uma residência na região de São Mateus, zona leste da capital, após denúncias de que um suspeito do atentado estaria escondido no local. Durante a ação, um segundo homem, de 33 anos, foi conduzido à delegacia e também será investigado.
O caso foi registrado como morte decorrente de intervenção policial no 49º DP (São Mateus) e segue sob investigação do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que exames periciais e as imagens das câmeras corporais dos policiais serão analisados.
Mortes durante as investigações
Com o óbito de Márcio Ferreira, o número de mortos durante as investigações sobre o ataque ao tenente Pimentel subiu para sete. As ocorrências, registradas em um intervalo de menos de 15 dias, envolveram confrontos em locais como Guarulhos, Peruíbe, Guaianases e diferentes áreas da zona leste e sul de São Paulo.
Apesar de os boletins de ocorrência mencionarem denúncias de participação no atentado, a Secretaria de Segurança Pública ressalta que ainda não há comprovação de ligação direta de qualquer um dos homens mortos com o crime. A polícia mantém uma recompensa de R$ 50 mil por informações que levem ao paradeiro de Hércules da Costa Siqueira, apontado como o principal suspeito.
Estado de saúde do oficial
O tenente Ronickson Pimentel dos Santos permanece internado em estado grave na UTI do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André. O oficial foi baleado na cabeça na manhã de 27 de junho, enquanto aguardava em um semáforo na Avenida Goiás, em São Caetano do Sul.
De acordo com o último boletim médico, o policial apresenta um quadro de vasoespasmo cerebral — estreitamento das artérias que irrigam o cérebro — decorrente do trauma. Um novo exame está previsto para esta sexta-feira (17/7) para avaliar a evolução do quadro e permitir a redução gradual da sedação do agente.
