EUA decidem sobre novas tarifas contra o Brasil e governo federal avalia reação
Governo brasileiro estuda medidas de reciprocidade e manifestação de indignação caso Casa Branca confirme sobretaxas sobre produtos nacionais
Por Davy Albuquerque
O governo brasileiro aguarda a decisão dos Estados Unidos, prevista para esta quarta-feira (15), sobre a aplicação de novas tarifas sobre produtos exportados pelo Brasil para definir sua estratégia de resposta.
A possível ofensiva tarifária americana envolve taxas de 25% e 12,5% sobre mercadorias brasileiras. A equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalha com a hipótese de que as novas taxas sejam confirmadas, cenário reforçado por declarações do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, indicando que os dois países seguem distantes de um acordo.
O Ministério das Relações Exteriores informou que já mapeou 43 empresas e associações comerciais americanas que pressionam Washington para retirar produtos brasileiros da lista de sobretaxas. O argumento utilizado pelos grupos nos Estados Unidos é de que não existem substitutos para esses itens produzidos no mercado doméstico americano.
Como o Brasil pode reagir?
Caso a taxação seja confirmada, interlocutores do governo afirmam que a reação imediata deverá ser de indignação oficial. O governo pretende manter o entendimento de que uma nova taxação é inaceitável, seguindo a linha de discursos anteriores sobre a estrutura tarifária brasileira já ser favorável às exportações norte-americanas.
As equipes técnicas brasileiras devem analisar a decisão por alguns dias para avaliar os próximos passos. Entre as alternativas estudadas está a possibilidade de acionar a Lei de Reciprocidade, aprovada no Congresso Nacional e regulamentada pelo presidente Lula. A lei permite que o Estado brasileiro retalie países ou blocos que imponham barreiras contra o produto nacional.
Embora o Brasil não tenha pedido formalmente o adiamento da medida, a prorrogação do prazo seria vista como positiva, especialmente se motivada por questões econômicas ou para continuidade das negociações. O entendimento entre interlocutores é que o adiamento é pouco provável, dado o histórico da política industrial americana.
Contexto das tarifas
A proposta de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras surgiu após investigações sobre temas como desmatamento ilegal, pirataria e o sistema de pagamentos instantâneos, o Pix. Além disso, houve o anúncio de taxas adicionais de 12,5% para 60 países, incluindo o Brasil, devido a falhas no combate ao trabalho forçado.
As tensões comerciais entre os dois países escalaram há um ano, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Desde então, o cenário de trocas de informações e novas propostas tarifárias tem se mantido constante nas relações bilaterais.
