Trend de 'bicho na barriga' em redes sociais pode afetar confiança de crianças
Uso de mentiras ou medo para controlar alimentação infantil pode gerar ansiedade e insegurança emocional, alerta especialista.
Por Redação Diário Local
Uma tendência recente nas redes sociais, que utiliza vídeos de ultrassom falsos para fazer crianças acreditarem que possuem um “bicho” na barriga, pode gerar impactos negativos no desenvolvimento emocional infantil. A prática, que busca incentivar a alimentação saudável por meio do susto, pode comprometer a confiança entre pais e filhos.
A brincadeira consiste em adultos exibirem imagens de ultrassom espelhadas na televisão para simular a presença de um animal no corpo da criança, geralmente como consequência do consumo de doces ou outros alimentos. A estratégia utiliza o medo para tentar garantir a obediência dos pequenos.
Por que a prática é preocupante?
A psicóloga Leninha Wagner explica que, na infância, os pais são a principal referência de segurança e compreensão do mundo. Como a criança ainda não tem maturidade cognitiva para questionar as informações, ela interpreta a afirmação de que há um bicho na barriga como uma verdade absoluta.
De acordo com a especialista, quando a orientação é acompanhada de medo intenso, o aprendizado sobre nutrição é substituído por uma experiência de ameaça. Em vez de compreender a importância da moderação, a criança pode passar a associar alimentos a sentimentos de perigo, culpa ou ansiedade.
A prática também pode abalar o pilar da confiança. Ao perceber o engano, a criança pode desenvolver sentimentos de vergonha, insegurança ou passar a questionar a credibilidade dos adultos em momentos essenciais de convivência.
Impacto na autonomia
Outro ponto de atenção é que a obediência obtida pelo medo costuma ser passageira. A criança deixa de realizar uma ação apenas para evitar a ameaça, e não por ter compreendido o motivo do limite estabelecido.
Essa dinâmica reduz as chances de a criança desenvolver autonomia, pensamento crítico e autorregulação. Essas habilidades são fundamentais para que o indivíduo consiga fazer escolhas saudáveis de forma independente ao longo da vida.
Como estabelecer limites respeitosos?
Para educar sem recorrer ao medo, a recomendação é que os pais construam limites que façam sentido para a criança, preservando sua segurança emocional. Entre as orientações para uma educação respeitosa, estão:
Explicar os efeitos do excesso de doces de maneira simples e adequada à idade; evitar o uso de histórias assustadoras ou mentiras para garantir a obediência; estabelecer regras claras e previsíveis; e acolher a frustração infantil sem abrir mão dos limites necessários.
Além disso, oferecer opções dentro de escolhas previamente definidas pode ajudar a estimular a autonomia. O exemplo prático dos pais, com hábitos alimentares equilibrados, também é considerado uma ferramenta essencial para o aprendizado duradouro.
